UOL Notícias Internacional
 

16/02/2010

Londres deve reconhecer que CIA torturou britânico suspeito de ser terrorista no Paquistão

Le Monde
Virginie Malingre

Londres sabia as torturas as quais foi submetido o britânico Binyam Mohamed quando foi interrogado no Paquistão em abril de 2002 pelos americanos, que suspeitavam que ele fosse um terrorista. É o que revela um documento publicado em 10 de fevereiro pelo ministério das Relações Exteriores por ordem da justiça. Um ano depois de ser libertado de Guantánamo - sem acusação - para onde foi transferido em 2004, esse residente britânico de origem etíope multiplica os processos dos dois lados do Atlântico para estabelecer a ilegalidade de sua detenção e dos tratamentos que lhe foram infligidos, como ele afirma, com a cumplicidade dos britânicos. E é uma vitória considerável que a corte de apelações acaba de lhe dar.

Os juízes britânicos obrigaram o ministério das Relações Exteriores a publicar em seu site na Internet uma nota que resume as informações dadas pela CIA ao MI5, o serviço de contra-espionagem britânico, sobre a detenção de Mohamed no Paquistão. E isso antes que um agente do MI5 fosse interrogar o suspeito.

  • Lewis Whyld/AP

    Binyam Mohamed no momento de seu desembarque na base militar de Northolt, na Inglaterra

A "testemunha B", como o chama a justiça, havia portanto lido as informações americanas. Ele sabia, como estipula a nota, das "privações contínuas de sono" infligidas a Mohamed, "das ameaças e os métodos de persuasão" que ele sofreu, assim como "seus temores de desaparecer". Tratamentos que poderiam "facilmente" ser considerados "no mínimo cruéis, desumanos e degradantes". E que, como explicou o tribunal, são ilegais na Grã-Bretanha.

Segurança nacional
A nota já figurava na prestação de contas de um processo anterior sobre o caso Mohamed, mas o chefe do Foreign Office, David Miliband, havia impedido sua publicação em nome da "segurança nacional" e da necessidade de guardar em segredo as informações trocadas entre Londres e Washington. A CIA, ele havia afirmado, não nos comunicaria mais nada de interessante se a confidencialidade não fosse garantida.

Para justificar sua decisão, os juízes tiveram palavras muito duras em relação aos serviços de informação britânicos. Tão severas que o advogado do ministério das Relações Exteriores, Jonathan Sumption, lhes escreveu na segunda-feira - quando recebeu, assim como as outras partes do processo, um projeto de decisão - para que as moderassem.

Em sua carta, o advogado considerava que um parágrafo do texto dava a impressão de que "os serviços de segurança não têm a cultura dos direitos humanos", que eles "mentiram deliberadamente" aos parlamentares e possuem "uma cultura da dissimulação".

Sumption obteve ganho de causa e o parágrafo desapareceu da ata final. As outras partes contestaram a decisão e a corte poderia decidir publicar a versão inicial do texto.

Essa decisão vai "complicar a prática de nossos intercâmbios de informações com o Reino Unido, e será levada em conta em nosso futuro processo de tomada de decisão", informou na quarta-feira a Casa Branca.

 

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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