UOL Notícias Internacional
 

18/02/2010

China sinaliza socorro econômico para a Coreia do Norte

Le Monde
Bruno Philip

A recente visita de um alto dirigente político chinês à Coreia do Norte, amplamente abafada pela mídia, poderá resultar em um grande plano de investimentos destinado a reerguer a economia do regime de Pyongyang. Foi isso que indicou, no início da semana, uma nota da agência de notícias sul-coreana Yonhap, sob o título: “A Coreia do Norte atrai US$ 10 bilhões (cerca de R$ 18 bilhões) em investimentos estrangeiros”.

  • REUTERS/KCNA

    O ditador norte-coreano Kim Jong-il (à dir.) recebe o premiê chinês Wen Jiabao, em Pyongyang

Tal soma, considerável para esse país, uma vez que representa cerca de um quarto do PIB estimado, teria 60% de seu total pago por bancos e empresas chinesas. Pelo menos é esse o projeto mencionado na semana passada pelo líder norte-coreano Kim Jong-il e pelo diretor do setor internacional do Partido Comunista Chinês, Wang Jiarui.

A mídia chinesa havia mencionado a visita à capital norte-coreana do dirigente pequinês, mas não trouxe nenhum detalhe sobre esse plano. Se ele se realizar, mostrará até que ponto a China pretende manter uma ligação econômica forte com Pyongyang para poder pressionar seu vizinho a voltar às negociações sobre o programa nuclear.

As relações entre as duas capitais de fato se deterioram depois dos testes nucleares norte-coreanos de 2008 e 2009, uma provocação de seu “aliado” que a China entendeu como um afronta, uma vez que essa decisão ignorava as pressões de Pequim.

A China está em um beco sem saída. As gesticulações de seu turbulento “vizinho problemático”, como o chama Sun Zhe, acadêmico chinês especialista em questões de política internacional, constrangem Pequim, obrigada a apoiar a Coreia do Norte.

Um possível colapso do regime do “Querido Líder” e a reunificação da península representam uma perspectiva de pesadelo para a China, que nesse caso deverá absorver o choque provocado pela chegada de refugiados a seu território e passaria a compartilhar uma fronteira comum com um país – a Coreia do Sul – onde estão mais de 28 mil soldados americanos. Daí a necessidade das estratégias chinesas de garantir a sobrevida da Coreia do Norte.

Ainda que Pyongyang dependa da China para 80% de seus bens de consumo e 40% da alimentação, as autoridades de Pequim sabem que, em relação à Coreia do Norte, ajudá-la economicamente é certamente mais eficaz como arma de pressão.

Tradução: Lana Lim

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