UOL Notícias Internacional
 

18/02/2010

Escolas instaladas em locais de conflito armado cada vez mais sofrem com ataques

Le Monde

No Afeganistão, 670 escolas foram alvo de ataques armados em 2008 -número três vezes maior do que no ano anterior. No Paquistão, no distrito de Swat no nordeste do país, 356 escolas foram parcialmente ou totalmente destruídas durante confrontos entre o exército e o Taleban, de 2007 a março de 2009. Na Índia, 300 estabelecimentos de ensino foram atacados por rebeldes maoístas durante os três últimos anos.

  • Loay Abu Haykel/Reuters

    Garoto palestino brinca na escadaria de uma escola no campo de refugiados Beddawi, na Líbia

Em todo o mundo, “o número de ataques aumentou dramaticamente ao longo de três anos inteiros”, explica a Unesco em seu relatório “A Educação Transformada em Alvo”, publicado recentemente.

 

Esses ataques, assassinatos, sequestros, abusos sexuais e outros tipos de violência já eram suficientemente numerosos e inquietantes para ser objeto de um primeiro relatório em 2007, que avaliou 32 países. 

No topo dessa lista estão o Afeganistão e a Colômbia, onde 90 professores foram assassinados entre 2006 e 2008, o Iraque, onde 71 universitários e 37 estudantes foram assassinados, e também o Nepal, os territórios palestinos, a Tailândia e o Zimbábue. Os responsáveis pelos massacres podem ser tanto rebeldes como os exércitos regulares. 

Nos países onde os sistemas educacionais já estão em grande dificuldade, esta violência repetida contribui para fragilizar ainda mais o direito à educação. Ensinar, em condições como estas, torna-se uma profissão perigosa que inúmeros jovens se recusam a exercer. Para os governos, torna-se ainda mais difícil contratar professores. 

  • DMITRY KHRUPOV/AFP

    Crianças afegãs em escola no campo de refugiados no Tadjiquistão, em outubro de 2001

Inúmeros desses ataques têm como alvo as crianças à caminho da escola, uma técnica comum para recrutar soldados-mirins, observa o autor do relatório, Brendan O'Malley, que revelou práticas similares no Burundi, Chade e também nas Filipinas e na Somália. 

Tarrem Kosa, que mora Chhattisgarh, no leste da Índia, tinha 13 anos quando os rebeldes maoístas desembarcaram em sua escola. “Eles levaram quatro alunos”, conta o menino que se entregou à polícia. Efeito colateral: “O medo desses recrutamentos privou inúmeras crianças de ir à escola no Sri Lanka e na Venezuela”, indica O'Malley. 

Como explicar uma cena tão macabra? Ao contrário do que se imagina normalmente, a educação não é vista sempre como um espaço “neutro”. Ela pode simbolizar uma cultura rejeitada ou submetida a um governo em disputa, e visar, como no Zimbábue, os professores universitários. 

Entre os motivos para esses ataques, também encontramos o desejo de privar as meninas da educação. O Paquistão e o Afeganistão, onde “40% dos ataques são contra as escolas exclusivas para meninas” constituem casos extremos. 

Essa violência deixa as comunidades, tanto local quanto internacionalmente, despojadas. Aqui e ali, as pessoas começaram a organizar a proteção das crianças e das escolas. No Nepal, um acordo entre os representantes do governo, a sociedade civil e os rebeldes maoístas permitiu a criação de “escolas da zona de paz” em dois distritos do país. No Afeganistão, a criação de grupos de defesa e proteção, em duas províncias do país, evitou ataques. 

Mas essas iniciativas, isoladas, não devem mascarar o fato de que os responsáveis pelos ataques permanecem impunes na maioria das vezes.

Tradução: Eloise De Vylder

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