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18/02/2010

Plano de energia nuclear de Obama reaquece mercado energético dentro e fora dos Estados Unidos

Le Monde
Jean-Michel Bezat

Barack Obama vira a página da Three Mile Island – a central nuclear da Pensilvânia onde o acidente que ocorreu em março de 1979 havia levado a um congelamento da produção civil de energia nuclear durante trinta anos. O presidente dos Estados Unidos anunciou, na terça-feira (16), medidas em favor de uma fonte de produção de eletricidade necessária, segundo ele, para “reduzir a dependência do petróleo estrangeiro”, criar empregos no país, preservar a técnica nuclear americana e respeitar os compromissos pela luta contra o aquecimento global. Ele espera que esse apoio à energia nuclear, prioridade demonstrada pela oposição republicana, o ajudará a passar no Congresso seu controverso projeto de lei sobre o clima.

  • Mike Nelson/AFP

    Usina de energia elétrica em Long Beach, Califórnia, Estado norte-americano que enfrenta problemas de fornecimento de energia, levando o governo a investir em usinas de energia nuclear

Obama anunciou que o Estado garantirá até US$ 8 bilhões (R$ 14,6 bilhões) em empréstimos cedidos ao grupo de energia elétrica Southern Co., que construirá reatores de tecnologia americana (AP 1000 da Westinghouse) na Georgia. Essas garantias são essenciais para que os bancos decidam financiar um setor que consome muito capital. Em seu discurso sobre o estado da União, em 27 de janeiro, ele anunciou a construção de “uma nova geração de usinas seguras e limpas”. Hoje, 19% da eletricidade é de origem nuclear.

Ainda que menos pró-nuclear do que a de George W. Bush, sua administração decidiu triplicar o orçamento de garantias previsto para 2005: passará de US$ 18,5 bilhões para 54,5 bilhões (orçamento 2011), garantindo os sete primeiros reatores construídos.

Quatro empresas de energia elétrica foram pré-selecionadas para serem beneficiadas pelos 18,5 bilhões inicialmente incluídos no orçamento federal. Em especial a joint venture Unistar, associação da americana Constellation Energy com a EDF, que prevê a construção em Maryland de um reator EPR de terceira geração desenvolvido pela francesa Areva. “Esperávamos por essa decisão sobre as garantias há dois anos, e hoje está se concretizando”, comemora Jacques Besnainou, presidente da Areva nos Estados Unidos. “É o verdadeiro início do renascimento da energia nuclear”.

  • Jason Reed/Reuters

    Obama em discurso na Casa Branca, sede oficial do governo dos Estados Unidos

Associada à EDF, a Areva quer primeiramente vender quatro reatores EPR. Ela também assinou, no fim de dezembro de 2009, uma carta de intenção com um consórcio de empresas de eletricidade americanas para a

construção de um ou dois EPR na Califórnia – um projeto ainda incerto. “Nós gastamos US$ 200 milhões para adaptar o projeto do EPR às exigências americanas. Estamos na frente para obter a autorização da NRC, a autoridade de segurança nuclear americana”, ressalta Besnainou. A NRC indicou que não certificaria os primeiros reatores antes do fim de 2011.

 

Para a Areva, que emprega 6 mil pessoas nos Estados Unidos, o que está em jogo é considerável. Vai além do fornecimento de reatores. Com 104 unidades em serviço, os Estados Unidos são o principal país nuclear do mundo. E o maior mercado do grupo francês (fora da França). A Areva abrirá lá uma fábrica de componentes (bacias, geradores de vapor...) em 2014 e construirá uma usina de enriquecimento de urânio em Idaho, com milhares de empregos no final. Um argumento de peso para os Estados Unidos, que estão vivendo uma alta no desemprego sem precedentes.

A volta da energia nuclear, entretanto, esbarra na questão do reprocessamento de combustível nuclear: 60 mil toneladas são hoje estocadas nas “piscinas” das usinas. Nos anos 1970, Washington na verdade recusou – por medo da proliferação – o “ciclo fechado” escolhido pela França. Ele permite fabricar combustível a partir daquilo que foi queimado nas usinas. Obama avança por etapas, ciente de que uma parte da opinião pública – sobretudo democrata – continuará contra a energia nuclear, enquanto o problema da gestão dos “resíduos” não for solucionado. Ele criou uma comissão sobre o “futuro nuclear dos Estados Unidos”, que deverá “passar em revista todas as possibilidades para estocar e reprocessar os combustíveis usados e os resíduos nucleares civis e militares”.

Tradução: Lana Lim

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