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22/02/2010

Petróleo aliviou recessão histórica na Noruega em 2009

Le Monde
Olivier Truc
Em Estocolmo (Suécia)

Mesmo em uma petromonarquia que não chegou a sentir a crise mundial graças ao dinheiro do petróleo injetado pelo governo, uma cifra ruim continua sendo uma cifra ruim. A Noruega registrou em 2009 um recuo “histórico” de sua economia com uma retração de 1,5% de seu PIB, anunciou a Agência Norueguesa de Estatísticas (SSB), na quinta-feira (18).

Noruega, o país mais desenvolvido do mundo

População: 4,8 milhões de habitantes

Moeda: coroa norueguesa

Índice de desenvolvimento humano: 0,971 (1º no ranking mundial)

PIB: +3,1% em 2007, +2,1% em 2008, -1,5% em 2009.

PIB per capita (2008): US$ 94.387 (2º no ranking mundial)

Índice de desemprego: 2,6% em 2008, 3,2% em 2009.

Administração pública: +18,8% do PIB em 2008, +9,6% em 2009.

(Fontes: OCDE, FMI)

Nesse país que se enriqueceu de forma extraordinária desde a descoberta de petróleo e de gás no Mar do Norte em 1969, a noção de crise é relativa. “Crise? Não é realmente a palavra certa”, brinca Ann Lisbet Brathaug, diretora da contabilidade nacional da SSB. “O PIB se retraiu, mas bem menos que na maioria dos outros países. Isso se deve em grande parte ao fato de que o governo aumentou sua contribuição à economia norueguesa”.

Há exatamente um ano, o primeiro-ministro trabalhista, Jens Stoltenberg, anunciou que iria utilizar mais dinheiro do Fundo do Petróleo do que o de costume, para cobrir o déficit orçamentário e atenuar os efeitos da crise. O excedente das receitas dos hidrocarbonetos foi transferido para um Fundo do Petróleo, onde o dinheiro é colocado em ações e títulos internacionais.

Desde 2001, uma lei prevê que somente o “rendimento real” dos ativos do Fundo do Petróleo, gerado pelo Banco da Noruega, pode ser transferido normalmente para o orçamento do Estado, autorizando habitualmente o governo a retirar 4% do valor do fundo para equilibrar seu orçamento. O que significa, a grosso modo, que só se gastam os juros, sem tocar no capital.

Uma regra de gestão prudente que não impede, caso seja preciso, que o governo faça alguns exceções. Em 2009, o governo se permitiu um aumento de 33 bilhões de coroas (R$ 9,8 bilhões) suplementares em relação ao rendimento real do Fundo do Petróleo. O crescimento real dos gastos públicos, que devia ser de 3,25% entre 2008 e 2009, foi levado dessa forma a 6,5%.

A mesma contribuição de dinheiro do petróleo foi efetuada no orçamento de 2010. “Atualmente há controvérsia, mas a volta às regras normais de utilização do Fundo do Petróleo deverá ocorrer para o orçamento de 2011”, observa Ann Lisbet Brathaug.

O Norges Bank Watch, grupo de monitoramento do banco central composto por economistas, declarou na quinta-feira estar preocupado com o fato de que, se a política fiscal atual continuar, isso poderia constituir um desafio de peso para o Banco da Noruega. Muitas das medidas de retomada do governo para enfrentar a crise financeira se tornaram assim despesas permanentes no orçamento do Estado.

Apesar de o crescimento não ter atingido o previsto (+0,3% apenas) no quarto semestre, as exportações, especialmente nos setores mais atingidos da indústria metalúrgica, voltaram a crescer no segundo semestre de 2009. A atividade ainda reduzida do setor de construção e obras públicas contribuiu para frear a retomada.

Mas o consumo privado volta a crescer bem rapidamente nesse reino que é um dos países mais caros do mundo. “A maioria dos noruegueses não sentiu nada da crise”, constata Ann Libset Brathaug. “Aqueles que têm emprego, a maioria, portanto, na verdade se beneficiaram com a queda das taxas de juros, que passaram de 5,75% no outono de 2009 para 1,25% no verão de 2009. Elas voltaram a subir ligeiramente neste outono, e agora estão em 1,75%.

Ainda que, vista do exterior, a situação continue sendo quase de pleno emprego, o índice de desemprego deverá subir de 3,2% no fim de 2009 para 3,9% em 2011, segundo a SSB. Convém manter a prudência: “O desemprego é relativamente baixo, mas o índice de emprego recuou mais do que havíamos previsto”, observa Svein Gjedrem, diretor do Banco Central.

Tradução: Lana Lim

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