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24/02/2010

Prospecção britânica de petróleo nas Ilhas Malvinas reacende as tensões entre a Argentina e o Reino Unido

Le Monde
Jean-Pierre Langellier e Marc Roch
No Rio de Janeiro e Londres
  • Leo La Valle/EFE

    A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, discursa em ato na Casa Rosada, em Buenos Aires. A Argentina está mais uma vez no centro do debate sobre a posse das Malvinas

Vinte e oito anos após a Guerra das Malvinas entre o Reino Unido e a Argentina, que custou a vida de 649 soldados argentinos e 255 britânicos, o conflito de soberania sobre esse arquipélago do Atlântico Sul deu lugar, na última semana, a uma batalha de comunicados entre Londres e Buenos Aires.

A Argentina tem razão em reivindicar as Malvinas?

O conflito em torno das Ilhas Malvinas (Falklands, para os britânicos) ressurgiu após a decisão de Londres de autorizar perfurações petroleiras ao largo desses dois pequenos pedaços de terra fria e pantanosa situados a 600 km da Terra do Fogo, povoados por 3.140 habitantes e 500 mil ovelhas, onde a Union Jack tremula desde 1833. Descartando qualquer ação militar, a Argentina, derrotada em 1982, contra-atacou em 16 de fevereiro, decretando que os barcos que quisessem atravessar as águas de sua zona econômica exclusiva, que se estende por 370 km, para chegar ao arquipélago, deveriam obrigatoriamente pedir uma permissão a Buenos Aires.

Essas autorizações serão concedidas por uma comissão interministerial e todas as mercadorias transportadas de um porto argentino para o arquipélago deverão ser declaradas. Essa medida administrativa visa complicar as explorações petroleiras. Londres reagiu, ressaltando que as regras em vigor nas águas argentinas “não afetariam as águas territoriais das Falklands, que são controladas pelas autoridades da ilha”. Buenos Aires lançou uma campanha diplomática para lembrar seus direitos e mobilizar apoios. Na segunda-feira (22), a presidente Cristina Kirchner obteve o apoio de uma cúpula que reunia no México 32 países da América Latina e do Caribe. Estes votaram uma resolução que exortava Londres a não iniciar a exploração de petróleo. Segundo a Argentina, a Grã-Bretanha viola as resoluções da ONU que determinam que as partes não devem tomar nenhuma decisão unilateral que possa agravar seu conflito.

A campanha de exploração, entretanto, começou na segunda-feira, iniciada pela sociedade britânica Desire. Ela visa avaliar os recursos exploráveis cuja produção só começaria daqui a muitos anos. Em 1998, as companhias Shell e Lasmo apresentaram indícios de petróleo e de gás. Mas elas abandonaram as pesquisas por causa da baixa cotação, na época, do petróleo (US$ 10 o barril). Segundo um estudo da British Geological Society, realizado em 1996, as reservas dos fundos marinhos são tão grandes quanto aquelas encontradas no Mar do Norte: 60 bilhões de barris.

A situação é diferente hoje. Os preços elevados dos hidrocarbonetos, os progressos tecnológicos em matéria de extração em águas profundas e o medo da falta de petróleo reavivaram o interesse pelas águas das Malvinas. Quatro companhias “juniores” se candidataram à exploração: Desire Petroleum, Borders & Southen Petroleum, Rockhopper Exploration, Falklands Oil & Gas. O maior trunfo das Malvinas é a pouca profundidade das águas – 400 metros ao norte e 1,2 quilômetro ao sul - , bem inferior às do golfo do México, do Mar do Norte ou de Angola.

Entretanto, o isolamento geográfico tornaria muito custosa a construção de uma rede de oleodutos que levassem o óleo bruto para as refinarias. Os grandes da indústria, BP, Shell e Exxon, se recusaram a entrar em um projeto muito incerto do ponto de vista político. Os banqueiros das empresas que estão na disputa – HSBC e Barclays – temem o impacto negativo dessa aventura sobre sua imagem na América Latina.

A Grã-Bretanha mantém no local uma guarnição de 1.300 soldados, 4 aviões de combate e um destróier, além de uma guarda costeira. Mas em caso de conflito, Londres seria incapaz de recriar uma força-tarefa marítima como em 1982, por causa de seu envolvimento no Afeganistão e dos cortes feitos na Marinha Real Britânica.

Tradução: Lana Lim

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