UOL Notícias Internacional
 

25/02/2010

O refém francês sequestrado no Mali é libertado em troca de quatro islamitas

Le Monde
Jean-Pierre Tuquoi
  • O francês Pierre Camatte (à dir.) e um homem não identificado durante o período de cativeiro

    O francês Pierre Camatte (à dir.) e um homem não identificado durante o período de cativeiro

Pierre Camatte, o refém francês detido há quase três meses pelo braço magrebino da Al-Qaeda (AQMI), foi libertado pelos seus sequestradores no início da noite de terça-feira (23) perto da cidade de Kidal, ao norte de Mali. “Ele está bem”, garantiu um dos responsáveis malineses encarregados de negociar sua libertação. Camatte está “a caminho de Bamako (a capital), de onde partirá para a França”, informa um comunicado publicado em Paris pelo ministério das Relações Exteriores.

O francês de 61 anos havia sido sequestrado na noite de 26 de novembro, em um hotel do nordeste de Mali, por tuaregues que em seguida o teriam “vendido” a islamitas membros da AQMI, o mesmo grupo que, alguns dias antes, haviam raptado três espanhóis que trabalhavam para uma ONG na Mauritânia, e que continuam detidos.

Julgamento apressado

Refém francês libertado pela Al Qaeda está em Mali

Em troca da entrega de seu refém francês, a AQMI exigia a libertação de quatro islamitas presos há vários meses em Kati, perto de Bamako, por “posse ilegal de armas”.

 

Entre eles havia um mauritano e dois argelinos, Mohamed Ben Ali e Tayeb Nail, acusados por Argel de terem participado de atentados sangrentos em seus países (dos quais um visava o Palácio do Governo em 2008). Um mandato de extradição contra eles foi emitido por Argel em setembro de 2009 e renovado há algumas semanas.

Mas na segunda-feira o Mali libertou os quatro islamitas ao final de um apressado julgamento. Para a Argélia e a Mauritânia, não há dúvida de que a justiça malinesa agiu sob pressão. A libertação “sob o pretexto falacioso de que eles foram julgados e cumpriram sua pena (a título de detenção provisória) viola as resoluções (...) exigentes do Conselho de Segurança da ONU e os comprometimentos bilaterais, regionais e internacionais de combate ao terrorismo”, ressalta um comunicado do ministério argelino das Relações Exteriores, publicado na terça-feira.

E diz ainda: “A libertação de terroristas procurados por países vizinhos (...) serve objetivamente aos interesses do grupo terrorista”. Na terça-feira, a Argélia decidiu trazer de volta seu embaixador em Bamako “para consulta”. Algumas horas antes, a Mauritânia havia feito o mesmo com seu representante em Mali.

Na realidade, ao mencionar o “pretexto falacioso” que levou à libertação dos islamitas, Argel faz referência às pressões exercidas há semanas pela França sobre Mali, por onde o ministro das Relações Exteriores, Bernard Kouchner, fez duas visitas-relâmpago, sendo uma delas com o secretário-geral do Palácio do Eliseu, Claude Guéant.

Essas idas e vindas deram frutos e fizeram com que os malineses voltassem atrás em sua intransigência inicial, e aceitassem libertar os islamitas correndo o risco de enfurecer Argel, seu poderoso vizinho. “Estávamos diante de um problema: fazer de tudo para salvar a vida do francês”, observou um assessor do presidente do Mali, Amadou Toumani Touré. Para tentar acalmar a Argélia por antecipação, com quem a França mantém relações difíceis, Guéant fez a viagem a Argel durante o fim de semana.

Tradução: Lana Lim

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    0,95
    3,157
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h28

    -1,26
    74.443,48
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host