UOL Notícias Internacional
 

27/02/2010

No Haiti, Lula reafirma o compromisso do Brasil

Le Monde
Jean-Pierre Langellier
Enviado especial a Porto Príncipe

À frente da Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti (Minustah) e dono do maior contingente de capacetes azuis (2.200 homens), o Brasil exerce nesse país desde 2004, e para satisfação geral, suas prerrogativas de potência emergente aspirante a um grande papel internacional.

A catástrofe do dia 12 de janeiro o reafirmou em sua vontade de permanecer no Haiti como principal pacificador em uma sociedade que foi por tempo politicamente despedaçada, mas também de se tornar um mestre de obras ambicioso e generoso da reconstrução. Foi essa a mensagem transmitida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva a seu colega René Préval, na quinta-feira (25), durante uma visita oficial (a terceira desde o compromisso brasileiro) de algumas horas, em Porto Príncipe.

O presidente Lula garantiu ao “companheiro Préval” que o Brasil faria todo o possível para ajudar e “reforçar o governo do Haiti, legitimamente eleito”. E, sobretudo, que ele adaptaria sua assistência: “É o governo do Haiti que deve dizer o que é preciso fazer, onde é preciso fazê-lo e como é preciso fazê-lo”.

Ele também exortou os credores internacionais do Haiti, em especial o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional, a anularem sua dívida, estimada em US$ 1,3 bilhão (R$ 2,34 bilhões): “Esse perdão da dívida não bastará para satisfazer todas as necessidades do Haiti, mas lhe permitirá receber novas linhas de crédito”.

Enquanto isso, há as urgências, que Lula pôde avaliar durante a visita a um bairro em ruínas e um voo de helicóptero sobre a capital: “A situação é bem mais grave do que eu imaginava”. É preciso retirar as montanhas de escombros, tarefa que equivale, segundo especialistas, a encher mil caminhões durante mil dias.

Usina hidrelétrica
É preciso sobretudo encontrar um abrigo para os cerca de 2 milhões de pessoas sem teto ou que não ousam voltar para uma casa considerada pouco segura. Por enquanto, 1,2 milhão de habitantes conseguiram um abrigo temporário, sob tendas ou lonas. Outros precisam correr contra o tempo, com a aproximação da estação de chuvas. O governo haitiano, em acordo com o Brasil, privilegia a criação de acampamentos que abrigam de 50 a 100 famílias, atendendo os desejos da população.

Nenhum dos dois presidentes mencionou publicamente o desacordo que se esboça quanto ao futuro da Minustah. O Brasil quer que essa força, que promete durar sob sua crescente autoridade, obtenha como missão “reconstruir” o país, e não somente “estabilizá-lo”, objetivo um pouco ultrapassado desde 12 de janeiro. O chefe da Minustah, o guatemalteco Eduardo Mulet, é contra essa transformação.

O Brasil e o Haiti assinaram na quinta-feira vários acordos relativos à agricultura, à educação, à formação profissional e à captura das águas de chuvas. Antes de sua visita, Lula havia confirmado que empresas brasileiras construiriam no Haiti uma hidrelétrica, ainda em estudo, a 60 km de Porto Príncipe, e que atenderia às necessidades energéticas de 600 mil pessoas. Um projeto sustentável, típico da reconstrução que o presidente brasileiro quer para esse país tão machucado.

Tradução: Lana Lim

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