UOL Notícias Internacional
 

03/03/2010

O presidente ucraniano corteja a Europa antes de ir à Rússia

Le Monde
Philippe Ricard
Em Bruxelas (Bélgica)
  • O presidente ucraniano Viktor Yanukovich durante entrevista no Parlamento Europeu

    O presidente ucraniano Viktor Yanukovich durante entrevista no Parlamento Europeu

Em uma visita de forte caráter simbólico para sua primeira viagem ao exterior, o presidente ucraniano Viktor Yanukovich foi a Bruxelas na segunda-feira (1º), antes de seguir na sexta-feira para Moscou.

Através desse gesto, o vencedor da recente eleição presidencial procurou tranquilizar os europeus preocupados em ver esse homem, sabidamente próximo de Moscou, se isolar de seus vizinhos ocidentais. “Nossas prioridades serão a integração à União Europeia, o desenvolvimento das relações amigáveis e construtivas com a Federação da Rússia, bem como com nossos vizinhos e os Estados Unidos da América, um parceiro estratégico”, disse Yanukovich, paralelamente a uma série de entrevistas com os presidentes da Comissão, José Manuel Barroso, do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, e do Parlamento, o polonês Jerzy Buzek. O presidente ucraniano também confirmou que seu país não era mais candidato a integrar a Otan.

Os vinte e sete países-membros pretendem dar uma chance ao novo dirigente, eleito em 7 de fevereiro em uma votação democrática. Mas eles divergem sobre o sinal que deve lhe ser dado. Vários Estados, entre os quais a Polônia e os países bálticos, acreditam que seja necessário lhe dar a perspectiva de uma adesão à União Europeia (UE), a fim de limitar os riscos de uma volta da Ucrânia ao meio russo. Já a França e a Alemanha acreditam ser inoportuno se envolver ainda mais nesse sentido. E pedem para que a Ucrânia faça a ligação entre a União Europeia e a Rússia. Na segunda-feira, Barroso se manteve prudente: “Em vez de discutir possíveis datas de admissão, é preferível se concentrar sobre as reformas na Ucrânia, que a reaproximarão da Europa”.

Bruxelas pressionou Yanukovich a retomar as conversas com o Fundo Monetário Internacional (FMI) para desbloquear a assistência financeira da qual seu país, atingido em cheio pela crise, ainda precisa. Além disso, as negociações iniciadas no fim de 2008, durante a presidência francesa da União, com o intuito de assinar daqui a um ano um acordo de associação e de livre-comércio, serão aceleradas.

Fornecimento do gás
Bruxelas também prometeu avançar na questão da eliminação dos vistos pedida por Kiev, mas vista com maus olhos pela Alemanha, Espanha, Holanda e Bélgica, que temem uma onda de trabalhadores ucranianos.

Ainda que se sentissem mais próximos de seu antecessor, Viktor Yushchenko, os europeus por fim se irritaram pela sua rivalidade com sua primeira-ministra Yulia Timoshenko. A discórdia dentro do Executivo ucraniano teria agravado a recessão econômica, paralisado as reformas e piorado o conflito com Moscou sobre o fornecimento do gás, segundo os europeus, que se lembram dos cortes dos abastecimentos de parte da Europa no início de 2009. Enquanto Yanukovich pensa na criação de um consórcio com os russos e os europeus para administrar o fornecimento, Barroso exigiu “progressos rápidos na modernização e na reestruturação do setor do gás”.

Tradução: Lana Lim

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