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06/03/2010

Aumenta o número de grupos de "patriotas" ativistas nos EUA

Le Monde
Antoine Strobel-Dahan

O número de milícias patriotas nos Estados Unidos disparou em um ano, relata uma das mais ativas organizações de defesa dos direitos humanos na América do Norte, a Southern Poverty Law Center (SPLC). Fundada em 1971 em Montgomery, no Alabama, pelo jurista Morris Dees para defender na justiça os militantes dos direitos civis, o SPLC publica todos os anos um respeitável relatório sobre os grupos extremistas americanos.

De 149 “grupos patriotas ativistas” em 2008, passou-se para 512 em 2009, entre os quais 127 milícias paramilitares, ou seja, um aumento de 244%. E essa conta só leva em consideração os grupos ditos “patriotas”, implicando uma ação contra “a nova ordem mundial”. Ao estender o cálculo para todos os grupos que apregoam o ódio, o SPLC estabelece um assustador mapa registrando 932 grupos que manifestaram ativismo em 2009.

A “direita radical americana” pode ser homófoba, segregacionista, “pró-vida”, antigovernamental, antissemita, anti-árabes, chineses e latinos, xenófoba, conspiracionista, antissocialista, neonazista, uma combinação de algumas dessas fobias ou de todas ao mesmo tempo. Aproveitando-se, por meio de uma retórica populista, da raiva crescente entre determinados segmentos da população americana em razão das mudanças políticas, demográficas e econômicas recentes, os ativistas patriotas voltam para primeiro plano. Desde o cerco de Waco em 1993 (86 mortos) e o atentado de Oklahoma City em 1995 (168 mortos), os patriotas se mantinham discretos.

Com a palavra, os conspiracionistas

Para essa direita muito à direita, a administração Obama tem todos os defeitos, a começar por seu pecado original, o da cor de seu presidente. Taxada de “socialista” ou de “fascista”, o governo americano concentra os ataques dos populistas, que por sua vez se encontram reafirmados pela preocupação crescente dos americanos quanto ao estado de sua nação. Em uma pesquisa publicada pelo “Wall Street Journal” e pela NBC News no fim de janeiro, quase 60% dos americanos afirmavam sentir que as coisas iam mal em seu país.

Segundo o “Guardian”, algumas mídias, entre as quais a Fox News, voltaram a dar voz aos adeptos das teorias conspiratórias, que acreditam que o ex-presidente dos Estados Unidos, Eisenhower, era um agente soviético, ou que estão convencidos de que o governo americano dispõe de campos de concentração secretos destinados à “reeducação” dos patriotas. A batalha não se dá somente no discurso e nas ideias, observa o SPLC, que desde a posse de Obama relata homicídios de diversos policiais por extremistas de direita, planos de assassinato do presidente por skinheads, uma volta dos crimes racistas e tentativas de atentado contra o governo ou populações não-brancas.

Tradução: Lana Lim

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