UOL Notícias Internacional
 

11/03/2010

Lituânia estabiliza suas relações com a Rússia vinte anos após sua independência

Le Monde
Olivier Truc
Envido especial a Vilna (Lituânia)
  • Visitante descansa ao lado de estátuas de Lênin, Stálin e outros líderes soviéticos. As estátuas fazem parte de um parque temático que se tornou uma das principais atrações turísticas da Lituânia, antigo país da ex-URSS. O parque, conhecido popularmente como Stalin's World (Mundo de Stálin), recebe centenas de milhares de visitantes, que caminham ao longo de passarelas iguais às dos campos de trabalho forçado da Sibéria

    Visitante descansa ao lado de estátuas de Lênin, Stálin e outros líderes soviéticos. As estátuas fazem parte de um parque temático que se tornou uma das principais atrações turísticas da Lituânia, antigo país da ex-URSS. O parque, conhecido popularmente como Stalin's World (Mundo de Stálin), recebe centenas de milhares de visitantes, que caminham ao longo de passarelas iguais às dos campos de trabalho forçado da Sibéria

A Lituânia comemora, no dia 11 de março, o 20º aniversário da restauração de sua independência. O mais meridional dos Estados bálticos foi na época a primeira república soviética a se libertar formalmente do jugo da URSS, e o aniversário é celebrado com grande pompa tanto no Parlamento quanto nas ruas cobertas de neve, com desfiles militares e declarações solenes.

Mas essa celebração da independência, que traz lembranças dolorosas por causa das deportações para a Sibéria e do muro de silêncio comunista, mascara uma realidade mais prosaica: nunca, desde o fechamento da usina nuclear de Ignalina no dia 31 de dezembro de 2009, a Lituânia havia sido tão dependente da Rússia para seu fornecimento de energia, o que é fonte de preocupação para parte dos dirigentes políticos lituanos. “Espero que quando celebrarmos os trinta anos de nossa independência, tenhamos uma independência total”, conta ao “Le Monde” o primeiro-ministro conservador lituano, Andrius Kubilius. “Ainda que nossa independência não seja total, nós somos membros da Otan e da União Europeia”.

O fechamento da usina de Ignalina, construída na época soviética e com o mesmo modelo que a de Tchernobyl, era a condição imposta por Bruxelas para que a Lituânia pudesse aderir à União Europeia em 2004. Até o Ano Novo, a Lituânia era, atrás da França, o segundo país do mundo mais dependente da energia nuclear para sua produção de eletricidade. Nos últimos anos, muitos partidos usaram a ameaça russa para pedir por um prolongamento da duração da exploração da usina.

Antes de ser eleito no outono de 2008, o próprio Andrius Kublius havia afirmado que quando Ignalina fosse fechada, “será preciso pagar duas vezes mais caro por nossa eletricidade, e além disso, não sabemos se a Rússia será capaz de nos fornecer as quantidades necessárias em caso de um inverno muito frio”. Dois meses depois do fechamento e de um inverno muito frio, não foi nada disso. Os preços certamente aumentaram, mas as relações com a Rússia parecem estar se estabilizando, o que em grande parte se deve à nova presidente da República, Dalia Grybauskaite.

Em meados de fevereiro, o presidente russo Dmitir Medvedev havia recusado o convite lituano para participar das comemorações de 11 de março “por questões de agenda”. Mas a presidente lituana ficou satisfeita assim mesmo. “O objetivo do convite à Rússia era ver sua atitude em relação à independência da Lituânia”, explica Grybauskaite ao “Le Monde”. “E deve dizer que estou muito satisfeita, pois recebemos uma carta do presidente Medvedev nos parabenizando pelo aniversario de nossa independência. É um passo muito importante para nós, pois é a primeira vez que recebemos da Rússia uma carta como essa pela nossa independência”.

A presidente lituana é bem mais dura nas críticas às políticas lituanas que tentaram atrasar o fechamento da usina. “Houve lobbies muito ativos, uma monopolização do setor da energia (em torno da questão nuclear) e as alternativas para o desenvolvimento de novas fontes foram bloqueadas”, diz a presidente. “Nosso setor de energia ficou estagnado durante vinte anos. Creio que o fechamento de Ignalina tenha sido um choque positivo. E espero que sejamos capazes de realizar rapidamente nossa verdadeira independência”.

Enquanto espera por uma nova usina nuclear, pelo desenvolvimento de energias renováveis e pela conexão à rede elétrica da Europa Ocidental, a presidente adotou uma abordagem pragmática em relação à Rússia. Que lhe retribui por enquanto. Agora que a Lituânia deve importar metade de sua eletricidade e aumentar suas compras de gás natural russo para seu consumo, Vladimir Putin, que a presidente lituana encontrou na Finlândia em fevereiro paralelamente a uma cúpula sobre o Mar Báltico, se disse pronto a atender uma demanda lituana em gás russo.

Tradução: Lana Lim

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