UOL Notícias Internacional
 

12/03/2010

Barack Obama faz pressão para sua reforma do sistema de saúde

Le Monde
Corine Lesnes
Em Washington
  • O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, durante palestra sobre a reforma da Saúde

    O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, durante palestra sobre a reforma da Saúde

Será que a obstinação de Barack Obama acabará compensando? Exatamente um ano após o lançamento da reforma do seguro de saúde, e depois de inúmeras peripécias legislativas, o presidente americano apela diretamente à opinião pública. Depois de Denver, Las Vegas, Savannah e Filadélfia, Barack Obama defendeu, na quarta-feira (10), seu projeto em Saint-Louis, no Estado do Missouri, esperando pressionar o Congresso, cujas duas câmaras devem se pronunciar uma última vez sobre o texto. “O tempo das discussões acabou”, disse ele como um candidato em campanha. “É hora de votar”.

Talvez Barack Obama não esteja errado em persistir. As pesquisas não indicam uma grande queda do apoio à reforma comparável à que houve na época do presidente Bill Clinton. Segundo a última pesquisa Gallup, no início de março, os americanos permanecem divididos: 48% deles recomendariam a seus representantes que não votassem o texto, mas 45% fazem a escolha inversa. A confiança que eles têm em Obama também não sumiu completamente. Segundo uma pesquisa da Associated Press, 53% dos americanos aprovam sua ação. O Congresso, em compensação, é quase unânime contra ele. Um em cada dois eleitores quer mudanças em seu distrito.

O presidente foi ajudado – involuntariamente – pelas seguradoras, que acabam de enviar a seus clientes cartas anunciando um grande aumento das mensalidades. Diversos presidentes e diretores de empresas foram convocados pelo Congresso para se explicarem. Angela Brady, presidente da WellPoint, cuja filial Anthem Blue Cross aumentou os preços em 39%, indicou que a alta decorre do fato de que vários segurados, especialmente os jovens, que se sentiam menos vulneráveis, abriram mão de seu seguro por causa da crise e do desemprego. Ela não conseguiu convencer os parlamentares: a WellPoint anunciou lucros de US$ 2,7 bilhões para o quarto trimestre de 2009.

Na Filadélfia, na segunda-feira, o presidente se dirigiu diretamente às seguradoras: “Quanto os prêmios deverão aumentar para que decidamos agir? Quantos americanos devem perder seus seguros?”, disse. “Não podemos tolerar um sistema que funciona melhor para as seguradoras do que para os americanos”. Milhares de manifestantes em fúria protestaram em Washington nos arredores do fórum anual da America’s Health Insurance Plans, a associação das seguradoras, acusando-os de serem responsáveis por 45 mil mortes todos os anos, atribuídas a uma cobertura inadequada.

Em Saint-Louis, Obama lembrou que ele havia estendido a mão aos republicanos e que integrou várias de suas ideias. Exemplo: a reforma da proteção contra os erros médicos, uma antiga reivindicação dos médicos. Mas os republicanos decidiram se ater à sua linha de oposição frontal. Portanto, o destino da reforma está mais uma vez nas mãos dos democratas, que não têm certeza de poderem resolver suas diferenças antes da viagem de Obama para a Indonésia em 18 de março.

O presidente acredita que seria muito custoso politicamente deixar a reforma de lado agora, independentemente do preço que a maioria corre o risco de pagar nas eleições legislativas e locais em novembro. Segundo a cientista política Amy Walter, os resultados dessas eleições desde os anos 1960 mostram que, quando o presidente goza de uma popularidade superior a 50%, seu partido perde em média 12 cadeiras nas Câmara. Se a popularidade presidencial é inferior a 50%, ele perde 41 cadeiras... Até novembro, a Casa Branca espera que o índice de desemprego permaneça abaixo dos 10%.

Tradução: Lana Lim

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    -0,54
    3,265
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h20

    1,36
    64.085,41
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host