UOL Notícias Internacional
 

12/03/2010

Negociantes de petróleo deixam de fornecer combustíveis ao Irã

Le Monde
Marc Roche
Em Londres
  • Trabalhadores iranianos fazem reparos em refinaria de Petróleo de Teerã, capital iraniana

    Trabalhadores iranianos fazem reparos em refinaria de Petróleo de Teerã, capital iraniana

Enquanto a comunidade internacional pena para conseguir chegar a um acordo sobre uma nova série de sanções contra o Irã, as pressões dos parlamentares americanos visando endurecer a legislação que pune as empresas ocidentais que fazem negócios com Teerã manifestam seus primeiros efeitos.

Assim, as grandes empresas internacionais de comércio petroleiro agora se recusam a negociar com a República Islâmica. Além disso, o Lloyd’s, a primeira Bolsa de seguro-resseguro do mundo, antecipou possíveis sanções suplementares dos Estados Unidos. Entretanto, os meios diplomáticos não mantêm mais ilusões sobre a eficácia dessas iniciativas para forçar o Irã a abandonar seu programa nuclear.

Vitol, Glencore e Trafigura: essas três sociedades privadas suíças são os principais negociantes independentes de petróleo do mundo. Seu papel consiste em fazer a ligação entre a oferta e a demanda de matéria-prima e a assumir todos os riscos relacionados à instabilidade desses mercados. Seu poder sobre o mercado paralelo dos combustíveis é impressionante. Ora, ainda que ele seja um dos principais produtores de petróleo bruto do mundo, o Irã precisa importar 40% de suas necessidades em produtos refinados em razão da obsolescência de suas instalações.

A decisão das principais corretoras de boicotarem Teerã é guiada pelas considerações ao mesmo tempo políticas, econômicas e de imagem. A retirada do trio suíço das licitações organizadas pela NIOC, a companhia nacional iraniana dos hidrocarbonetos, responde às crescentes pressões do Congresso americano. Em virtude das novas sanções sendo estudadas em Washington, qualquer sociedade envolvida com o Irã teria proibido para si o acesso às lucrativas encomendas do ministério americano da Energia para fornecer suas reservas estratégicas.

Segundas intenções

Além disso, há as segundas intenções das relações públicas após uma série de escândalos que comprometeram a imagem desses negociantes nos Estados Unidos. A Vitol foi alvo de uma investigação – arquivada – a respeito de seu papel no escândalo que cerca o programa das Nações Unidas “Petróleo por Alimentos” no Iraque. A Glencore foi fundada por antigos colaboradores do lendário negociante Marc Rich, que havia comprado petróleo no Irã entre 1979 e 1981, sendo que o país sofreu um embargo. Buscando entrar na Bolsa, essa bandeira espera superar as antipatias dos investidores institucionais americanos chamados a comprar seus futuros títulos dando provas de apoio à política iraniana de Washington.

Segundo a revista de informações sobre energia “Platts”, a refinaria indiana Reliance Industries e a Shell Trading também interromperam suas vendas no Irã. Paralelamente, o Lloyd’s divulgou que, em caso de sanções unilaterais dos Estados Unidos, navios e cargas de óleo bruto, bem como produtos petroleiros refinados com destino a Teerã não serão mais garantidos.

Na prática, a opinião geral é de que o efeito de tais medidas de represália será muito limitado. Na verdade, a interrupção do fornecimento de combustíveis por parte das sociedades comerciais, assim como das grandes companhias petroleiras, pode ser facilmente contornado. Em Dubai, retaguarda da República Islâmica, existe uma rede de pequenos corretores internacionais, em sua maior parte chineses, mas também russos, e operadores do Oriente Médio prontos para assumir a função. Assim, a kuaitiana Independent Petroleum Group é suspeita de ter desviado combustível indiano para o Irã, acusações desmentidas pelo grupo.

Além disso, Pequim, que apóia diplomaticamente o Irã, dispõe de meios de pressão sobre o Lloyd’s, muito ativo em Xangai desde 2007.

Tradução: Lana Lim

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