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13/03/2010

Na Colômbia, traficantes e guerrilheiros tentam colocar "seus" candidatos nas eleições

Le Monde
Marie Delcas
  • Mandato do presidente da Colômbia, Álvaro Uribe (foto), se aproxima do final. As eleições para o Congresso, neste domingo, podem ter peso na escolha de seu sucessor, em 30 de março

    Mandato do presidente da Colômbia, Álvaro Uribe (foto), se aproxima do final. As eleições para o Congresso, neste domingo, podem ter peso na escolha de seu sucessor, em 30 de março

Na praça Bolívar em Bogotá, os curiosos contemplam as enormes formigas em fibra de vidro que há um mês decoram a fachada do Congresso colombiano. Um vendedor de balões ironiza: “O artista deveria ter colocado ratos ou baratas. O Congresso está podre”.

No dia 14 de março, 29,8 milhões de eleitores colombianos serão convocados às urnas para renová-lo. “Mas o importante é a eleição presidencial de 30 de maio”, explica o vendedor. Quem sucederá o presidente Álvaro Uribe? As eleições legislativas de domingo poderão ter influência sobre a resposta.

Com 60% de opiniões favoráveis após oito anos de governo, o chefe do Estado sonhava com um terceiro mandato. Mas a Corte Constitucional o deteve, no dia 23 de fevereiro, invalidando a possibilidade de um referendo constitucional. Álvaro Uribe se resignou, o que lhe rendeu, na quinta-feira, os parabéns por escrito de Barack Obama. O presidente americano exaltou a democracia colombiana.

Mais de 2.500 candidatos disputam 102 cadeiras de senadores e 166 de deputados. Os eleitores também poderão participar das primárias do Partido Conservador – membro da coalizão no poder - e as do novíssimo Partido Verde, constituído por três ex-prefeitos de Bogotá (as cinco cadeiras da Colômbia no Parlamento andino também serão eleitas – pela primeira vez em eleições diretas e para indiferença quase geral).

“Em 2002, a violência política parecia incontrolável. Hoje, a campanha eleitoral se dá tranquilamente”, diz o general Oscar Naranjo, diretor da polícia. “Os candidatos podem se deslocar por toda parte, sem temer a ação de grupos terroristas – guerrilheiros ou paramilitares. A pacificação do país é uma realidade”. É a ela que Álvaro Uribe deve sua popularidade. Os candidatos “uribistas” invocam em alto e bom som sua chamada política de “segurança democrática”. Os outros – sejam eles liberais, de esquerda ou independentes – encontram dificuldades para se diferenciar dele.

Há problemas que persistem, o general Naranjo reconhece. Segundo a Missão de Observação Eleitoral (MOE), a presença de grupos armados ameaça o livre jogo eleitoral em mais de um terço das 1.119 municipalidades do país. No domingo (7), o exército afirmou ter frustrado um atentado das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) contra Orlando Beltran, um ex-refém da guerrilha que é candidato à Câmara.

“Guerrilheiros e militares procuram controlar o território e a droga que o acompanha. Mas as estratégias diferem”, diz Alejandra Barrios, diretora da MOE. “Em guerra contra o Estado, a guerrilha tenta eliminar os candidatos, ou, pelo menos, impedir que os eleitores votem. Sua capacidade de ação é hoje muito reduzida. Os traficantes tentam fazer com que seus candidatos sejam eleitos. Eles não perderam nada de seu poder”.

De acordo com o padre Eliecer Soto, diretor da “Pastoral Social” na cidade petroleira de Barrancabermeja, “a violência diminuiu porque os ‘narco-políticos’ e outros corruptos, bem incrustados no Estado e na sociedade, não precisam mais de paramilitares para que seus candidatos sejam eleitos. Basta ter dinheiro”. Pré-candidata pelo Partido Conservador, Marta Lucía Ramírez menciona os “fluxos de dinheiro que inundam determinadas campanhas eleitorais e distorcem o jogo político”. Os financiamentos ilícitos são difíceis de provar.

O Congresso colombiano foi profundamente desacreditado pelo escândalo da chamada para-política. Suspeitos de terem relações no passado com as milícias paramilitares, 85 parlamentares eleitos em 2006 foram destituídos. Cerca de quarenta deles ainda estão presos – em instância de julgamento ou já condenados.

Segundo números da MOE, mais de 80 candidatos que estão na disputa têm algum laço de parentesco ou uma grande afinidade com esses “caciques” que, de suas celas, continuam a controlar a política local. “Uma das questões das eleições legislativas é saber se o Congresso colombiano recuperará sua legitimidade democrática”, observa a cientista política Elizabeth Ungar, diretora da organização Transparencia por Colombia. O índice de abstenção deverá mais uma vez ultrapassar os 50%.

Os partidos da coalizão “uribista” parecem estar seguros de manter sua maioria parlamentar. Mas será que esta poderá sobreviver a Álvaro Uribe? Quem dentre a meia dúzia de herdeiros autoproclamados do presidente irá se impor na corrida à presidência? Juan Manuel Santos, que foi seu ministro da Defesa, chega à frente nas pesquisas, sem ultrapassar – por enquanto – 25% dos votos.

Tradução: Lana Lim

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