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14/03/2010

Os latinos nos EUA se dizem traídos por Obama

Le Monde
Corine Lesnes
  • Barack Obama, presidente dos EUA

    Barack Obama, presidente dos EUA

Eles fizeram parte da coalizão que garantiu em novembro de 2008 a eleição do candidato democrata. Chegou a hora de os latinos se juntarem à legião dos “decepcionados com Obama”. Para tentar acalmar a revolta que ruge entre os imigrantes, o presidente americano recebeu, na quinta-feira (11), os diretores das associações, dos sindicatos e das igrejas. Ele também conversou com os parlamentares que tentam encontrar um consenso sobre a imigração no Congresso. “Minha determinação em conseguir a adoção de uma reforma global não mudou”, garantiu.

Desde a vitória de 2008, a comunidade hispânica viu com crescente desespero a questão da regularização dos clandestinos desaparecer das prioridades da Casa Branca, em benefício da reforma do sistema de saúde, da regulação financeira e da lei sobre a mudança climática. Para mandar lembranças aos representantes, as associações estão organizando uma manifestação nacional, para o dia 21 de março em Washington. Antes da marcha, seus diretores haviam pedido uma audiência à Casa Branca. Eles ficaram surpresos ao serem atendidos por quase uma hora pelo presidente em pessoa.

Até hoje, as grandes associações evitaram atacar diretamente o presidente, limitando-se a colocar no YouTube vídeos com trechos de discursos de campanha. Mas, fundamentalmente, a decepção está viva. “Nossa comunidade se sente traída”, explicou ao “Washington Post” Brent Wilkes, da Liga dos Cidadãos Latino-Americanos. “Nunca poderíamos pensar que Barack Obama teria um balanço como esse”. Emma Lozano, diretora do Centro Sin Fronteras, uma associação de Chicago, foi ainda mais direta: “Sem legalização, sem reeleição”.

Logo que foi eleito, o presidente recrutou Cecilia Muñoz, uma das diretoras do Conselho de La Raza, a principal associação de latinos. Mas a administração Obama efetuou um número recorde de expulsões (quase 400 mil). E os imigrantes se decepcionaram com o tom do debate sobre o seguro de saúde: sob a pressão republicana, os democratas proibiram qualquer possibilidade para um clandestino de obter um seguro, ainda que pago por ele mesmo. As associações lamentam que Obama continue a acreditar que a regularização só pode avançar se os americanos tiverem certeza de que a ordem reina na fronteira, como ele havia dito em 2006 ao aprovar a construção de um “muro” na fronteira mexicana.

No momento em que o desemprego se aproxima dos 10%, os políticos não estão particularmente dispostos a abordar uma questão para a qual George W. Bush não conseguiu progressos, quando o índice de desemprego era de somente 5%. Para as associações, pelo contrário, é hora de reformar: a crise desacelerou a imigração. A lei tem poucas chances de ser aprovada antes das eleições locais de novembro de 2010, mas Obama tem o dever de mostrar que está cuidando disso. Na quinta-feira, ele recebeu os dois senadores que trabalham há um ano sobre o assunto, o democrata Charles Schumer e o republicano Lindsey Graham.

O presidente não quer repetir o erro cometido com a reforma do sistema de saúde. Ele prefere que os acordos sejam feitos previamente, para evitar que os republicanos criem obstáculos no momento de votar. Mas até o momento, o espírito de consenso deu origem a uma proposta muito controversa: a introdução de uma carta de identidade nacional.

Após um período de discrição, os hispânicos pretendem lembrar que eles detêm a chave de cerca de quarenta votos para as eleições de novembro. Em 2008, Obama ganhou a eleição presidencial com grande vantagem entre os imigrantes naturalizados (75% contra 25% para o republicano John Mc Cain). Vários Estados pesaram em seu favor (Colorado, Nevada, Flórida), graças ao fluxo de novos inscritos (400 mil novos eleitores na Flórida, sendo 57% democratas). O recenseamento de 2010 – que serve de base para a redistribuição dos distritos - deverá ressaltar seu peso demográfico. Segundo um relatório do grupo America’s Voice Education Fund, ele deverá conseguir atribuir cadeiras extras ao Congresso pela Geórgia, Flórida e Texas.

Tradução: Lana Lim

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