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16/03/2010

Chávez tenta combater o aumento da criminalidade na Venezuela

Le Monde
Marie Delcas
Enviada especial e Caracas (Venezuela)
  • Policiais venezuelanos revistam jovens no bairro se Sucre, na capital Caracas; em 2009, 16.094 homicídios foram cometidos no país, uma média de 44 por dia, segundo a polícia

    Policiais venezuelanos revistam jovens no bairro se Sucre, na capital Caracas; em 2009, 16.094 homicídios foram cometidos no país, uma média de 44 por dia, segundo a polícia

Qual é o problema mais grave da Venezuela? “A falta de segurança”, responde Jorge Martinez, estudante da Universidade Metropolitana de Caracas. “A falta de segurança”, confirma Alberto, que ali trabalha como bedel. Uma opinião compartilhada por 75% dos venezuelanos, segundo as pesquisas. Na camiseta de Jorge, uma frase escrita à caneta: “Quero a vida, a eletricidade e a televisão”. Há três semanas ele participa de todas as manifestações estudantis para protestar contra a criminalidade descontrolada, os cortes de eletricidade e o fechamento de uma rede de televisão, a RCTV, ligada à oposição. “Resumindo, contra um governo desastroso”, explica.

Fiel ao presidente Hugo Chávez, Alberto entende “um pouco” os estudantes. Assim como eles, ele gostaria que o governo “finalmente acabasse com os criminosos”. Na Venezuela, são chamados de “los malandros”. Não se deixe enganar pelo nome bonito: “os malandros” roubam, às vezes torturam, e muitas vezes matam.

Em 2009, 16.094 homicídios foram cometidos no país – uma média de 44 por dia - , segundo as estatísticas da polícia científica reveladas pelo jornal “El Universal” no domingo (7). Com um índice de 90 homicídios para cada 100.000 habitantes, Caracas é a capital mais violenta da América Latina. Os jovens de 15 a 30 anos são os mais expostos a esse risco.

“Durante a semana, as pessoas se refugiam em suas casas após as 20h, por medo das agressões. O país vive um toque de recolher de fato”, afirma Roberto Briceño, do Observatório Venezuelano da Violência. Ninguém sabe quantas armas leves circulam dentro do país. Estima-se que sejam milhões. Hugo Chávez anunciou, no dia 6 de fevereiro, um plano de luta contra a falta de segurança, sem detalhar o conteúdo. “A criminalidade é o pior inimigo da revolução”, disse ele pouco antes. Sua determinação é novidade. “Por muito tempo Chávez ignorou a questão da segurança”, lembra o opositor Teodoro Petkoff, diretor do jornal “Tal Cual”. Mas nada indica que haverá uma reação rápida do poder público.

Chávez acusa a burguesia de armar os criminosos para desestabilizar o país. O “império” norte-americano e os paramilitares colombianos também são acusados disso. “Por não conseguir entender o fenômeno da violência urbana em sua complexidade, o governo é incapaz de pôr em prática uma política eficaz. Procurar um bode expiatório não resolve nada”, diz Ana Maria Sanjuan, especialista em questões de segurança urbana.

Em 2009, Chávez anunciou a criação de uma polícia nacional bolivariana, para substituir “as antigas polícias fragmentadas e infiltradas pelo crime” (o país possui 150 corpos de polícia autônomos). Mas a instalação da nova polícia é lenta, e seu trabalho inicial, na parte oeste de Caracas, pouco convincente.

“Há mais de três anos que a falta de segurança é a principal preocupação dos venezuelanos. Paradoxalmente, a oposição parece incapaz de integrar o fato a seu discurso e a seu programa”, observa Oscar Schemel, do instituto de pesquisas Hinterlace. “Diante da criminalidade, a paralisia institucional é geral”, confirma Sanjuan. “Nos Estados e nos municípios controlados pela oposição, a situação é igualmente dramática”.

Por enquanto, é o governo federal que os descontentes acusam. “Por muito tempo Chávez atribuiu a criminalidade à pobreza gerada pelo capitalismo”, lembra Briceño. “Mas a pobreza diminuiu, o socialismo se estabelece, e a criminalidade aumenta”. Uma contradição difícil de administrar.

Tradução: Lana Lim

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