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17/03/2010

Eleições na Colômbia deixam o Senado do país a sombra dos paramilitares

Le Monde
Marie Delcas
Em Bogotá (Colômbia)
  • Soldado colombiano vigia uma das principais avenidas de Medellín, durante a operação feita para garantir as eleições legislativas no país

    Soldado colombiano vigia uma das principais avenidas de Medellín, durante a operação feita para garantir as eleições legislativas no país

Pela cumplicidade com as milícias das Autodefesas Unidas da Colômbia, o pai de Mauricio foi indiciado. O marido de Doris, que aguarda seu julgamento na prisão, também. O irmão de Teresa acaba de ser condenado a 40 anos de prisão, acusado do massacre de 15 camponeses em Macayepo, na região noroeste do país, em 2000.

Mauricio Aguilar, Doris Vega e Teresa Garcia têm motivos para estarem satisfeitos: eles acabam de ser eleitos senadores. Seu partido – o Partido da Integração Nacional, PIN – foi a surpresa nas eleições legislativas do domingo (14). Conseguindo 8 das 102 cadeiras do Senado colombiano, esse novo partido se tornou a 4ª maior força parlamentar do país, atrás do partido da União do presidente Álvaro Uribe e dos dois grandes partidos tradicionais – o Conservador (aliado do governo) e o Liberal (na oposição). “A narcopolítica de extrema direita mantém sua influência no Congresso”, resume a analista Claudia Lopez, da Missão de Observação Eleitoral.

O escândalo da chamada parapolítica desacredita o Congresso colombiano. Mais de um terço dos parlamentares eleitos em 2006 foram indiciados ou presos, suspeitos de serem cúmplices das sanguinárias Autodefesas Unidas da Colômbia e seus mecenas traficantes de drogas. Criado quatro meses antes das eleições, o PIN recebeu os parentes e amigos desses políticos que nenhum partido queria.

“Por acaso tenho cara de um candidato traficante?”, se indigna Hector Escudero, mostrando suas botas gastas. Motorista de táxi e candidato ao Senado, na sexta-feira ele fazia plantão na sede do PIN, no tranquilo bairro de La Soledad, em Bogotá. Seu programa? “Uma garantia para os motoristas de táxi assassinados (sic) em exercício”, estava escrito em seu panfleto. Hector não foi eleito.

O PIN preencheu suas listas como pôde, sem nenhuma personalidade. Mas, explica Claudia Lopez, “os três candidatos da região de Cali – onde atua o cartel das drogas do Norte Del Valle – foram eleitos. O filho e um ex-colaborador de La Gata também”.

Proprietária de lotéricas no norte do país, a riquíssima Gata – Enilce Lopez é seu nome verdadeiro – é alvo de uma investigação por lavagem de dinheiro. “Dentro do PIN, os herdeiros da parapolítica andam com os representantes de uma nova geração de mafiosos”, observa Lopez. Aqui, os votos se compram.

“O PIN é composto de pessoas honestas e transparentes”, se revolta Álvaro Caycedo, representante legal do PIN. “Revisei pessoalmente o currículo de todos nossos candidatos. Nenhum tem antecedentes criminais”. Caycedo “evidentemente” não levou em consideração a família ou os amigos dos potenciais candidatos. “A responsabilidade penal é individual, não é herdada”, ele lembra. Segundo ele, o PIN, “injustamente estigmatizado pela mídia”, é um partido democrático e pluralista que quer “a segurança e a política social”.

“A eleição de domingo mostrou que o Congresso não está curado do câncer da parapolítica”, afirma a publicação “Semana”. O PIN não é o único culpado. Todos os partidos de direita aceitaram candidatos duvidosos.

Segundo a Missão de Observação Eleitoral, cerca de trinta eleitos (dos 268 membros das duas Câmaras do Congresso) tiveram ligações mais ou menos suspeitas com os parapolíticos.

Que candidato o PIN pretende apoiar na eleição presidencial de 30 de maio? “O melhor”, diz Cayecedo, sem mais detalhes.

A julgar pelo resultado das eleições legislativas, é provável que dois candidatos “uribistas” disputarão a sucessão de Álvaro Uribe.

O candidato do Partido da União é Juan Manuel Santos, ex-ministro da Defesa e herói da operação militar que permitiu a libertação da ex-refém Ingrid Betancourt. O Partido Conservador também quer apresentar um candidato.

Tradução: Lana Lim

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