UOL Notícias Internacional
 

18/03/2010

Bombeiros do 11 de setembro poderão ser finalmente indenizados em Nova York

Le Monde
Sylvain Cypel
Em Nova York

Jennifer “ainda não sabe” o que vai fazer; foi repentino demais. Alguns dias atrás foi feito um acordo entre a prefeitura de Nova York e os advogados de 10 mil reclamantes – bombeiros, paramédicos – que trabalharam no Marco Zero, local onde a Al-Qaeda cometeu seus atentados contra as torres do World Trade Center, em 11 de setembro de 2001. “Vou estudar o acordo com calma junto com meus advogados, pedir conselhos para meus amigos”, diz. “Não é só o dinheiro, também tem a memória de meu marido: ele me deixou instruções precisas”.

John, seu esposo, era bombeiro. Nós o encontramos em 2008, com Jennifer e o pequeno Jack, seu filho de 2 anos e meio. John, que chegou três horas depois dos atentados, passou sete semanas naquilo que Thomas Cahill, professor emérito de ciências atmosféricas, chamou de “um incinerador a céu aberto”. Milhares de toneladas de dioxina, mercúrio, benzeno, chumbo e ácido foram absorvidas sem proteção pelos socorristas. John sofria de quatro tipos de câncer: de intestino, de fígado, de cólon e, por fim, de pulmão.

Indenizações? “Ninguém quer pagar”, suspirava. As seguradoras da cidade negavam que suas doenças tivessem sido causadas pelo 11 de setembro. “Antes, eu era como um touro”, dizia. John morreu no verão de 2009. No dia 14 de agosto, ao meio-dia, os sinos da catedral de Saint Patrick soaram longamente. Diante de seus veículos alinhados às dezenas ao longo da Quinta Avenida, vários regimentos de bombeiros lhe prestaram homenagem, ao som lancinante das gaitas de fole.

As mortes causadas pelo câncer, entre os bombeiros do Marco Zero, são incomparavelmente mais numerosas do que a média nacional. “As seguradoras esperam que a gente morra para não terem de pagar nada”, dizia John. Elas deveriam contribuir parcialmente nas indenizações. Se o acordo for validado...

US$ 46.000 por vítima

Um primeiro julgamento está marcado para o dia 16 de maio. Ele pode ser suspenso, caso as vítimas aceitem o acordo, o que poderá levar um ano. Esse acordo prevê pagar US$ 657,5 milhões (R$ 1,16 bilhão) aos que têm direito, vivos ou parentes dos falecidos, cujo dossiê será validado por um administrador aceito pelas duas partes. Isso se 100% dos reclamantes estiverem de acordo. Se não passarem de 95%, a soma cai para US$ 575 milhões. Abaixo disso, o acordo será anulado. Os advogados deduzirão 30% da soma para seus honorários. Na melhor das hipóteses, se as 10 mil ações forem julgadas procedentes, isso daria uma média de US$ 46 mil por vítima, viva ou morta.

“Irrisório”, acredita Jennifer. “Se o montante oferecido for muito abaixo do que as vítimas dos atentados receberam, não aceitarei”. E ela diz ainda, fatalista: “Ao mesmo tempo, preciso pensar no futuro de nosso filho...”

Tradução: Lana Lim

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