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18/03/2010

Google diz que está próximo de fechar as portas na China

Le Monde
Brice Pedroletti
Em Xangai (China)
  • Hall de entrada do edifício sede do Google em Pequim, na China. As empresas chinesas venda de espaços publicitários em páginas de busca do Google ter exigido clareza sobre os planos da empresa de Internet, advertindo que exigirá compensação se o portal se desligar do país

    Hall de entrada do edifício sede do Google em Pequim, na China. As empresas chinesas venda de espaços publicitários em páginas de busca do Google ter exigido clareza sobre os planos da empresa de Internet, advertindo que exigirá compensação se o portal se desligar do país

O Google certamente nunca esteve tão próximo de sair da China como agora. O mecanismo de busca, que já havia ameaçado no início de janeiro deixar o país depois de ter sido alvo de hackers, está tendo discussões tensas com as autoridades chinesas, que continuam querendo censurar o acesso à internet.

Pequim reiterou essa vontade na terça-feira (16). “Espero que o Google respeite as leis e as regulações chinesas”, declarou Li Yizhong, o ministro chinês da Indústria e das Tecnologias de Informação. “É irresponsável e antipático da parte do Google insistir em querer agir contra as leis e regulamentos chineses, e ele deverá sofrer as consequências”. O porta-voz do ministério do Comércio, Yao Jian, disse ainda que a China tem “há muito tempo uma política de abertura aos investimentos estrangeiros”, mas que “a condição primeira é que eles respeitem as leis chinesas”.

É por passar por cima da autocensura ao qual é submetido, como todos os sites da China, segundo uma grade de critérios e de palavras-chave fornecida pelas autoridades, que o Google se expõe a represálias administrativas ou a um bloqueio de seu site. As negociações com o governo encontram-se visivelmente em um impasse, e o fechamento de sua ferramenta de busca em chinês pelo Google é “99% certo”, indicava no sábado o “Financial Times”.

Na internet chinesa, em especial no Twitter, ferramenta privilegiada da dissidência conectada, os rumores anunciavam, na segunda-feira, uma decisão do Google para... meia-noite. “Centenas de internautas ficaram acordados, mas no final não aconteceu nada”, conta Isaac Mao, especialista e militante da internet chinesa morador de Xangai. “Muitos usuários mais experientes da rede querem que o Google dê uma resposta clara”.

Outro sinal de que um desfecho está próximo é que o “New York Times” revelou, no dia 15 de março, que diversos portais chineses, como o Sina, que respondem às buscas dos usuários via Google.cn, foram convocados por suas autoridades regulatórias a preverem uma alternativa caso o Google deixasse de filtrar seus resultados em chinês – pouco mais de 26% das buscas em chinês são feitas na China via Google, e o resto é feito através do mecanismo de busca Baidu.

O cenário que se esboça em caso de fechamento do Google.cn – que poderia continuar acessível fora da China – é o de uma retirada parcial: a empresa continuaria a prospectar na China anunciantes para seu site mundial, em inglês, que não teve motivos para ser bloqueado. Ela continuaria parte de suas atividades de pesquisa e desenvolvimento e se concentraria sobre outros produtos, como a promoção de sua plataforma móvel Android junto às operadoras e fabricantes chineses.

“A China é um outro mercado de porte no qual o Android faria sucesso”, declarou recentemente o diretor financeiro do Google, Patrick Pichette. O destino do Gmail, interrompido com frequência na China, e o da nova função de microblogging Buzz, são mais incertos.

E não há dúvida de que Pequim não tem intenção nenhuma de ceder em matéria de censura: em um editorial mordaz, a versão inglesa do “Global Times” ironizava, na terça-feira, a lógica do Google: “O maior mecanismo de busca do mundo, ao mesmo tempo em que procura tirar proveito da economia que mais rápido cresce no mundo, se gaba de sua altivez moral e atribui a si mesmo as qualidades de um herói que luta pela liberdade e pela democracia”. Na verdade, continua o editorial, a China é coerente em sua promessa de oferecer às empresas estrangeiras um “tratamento nacional”: cabe a elas respeitar “as leis chinesas”...

Mobilização dos internautas

Mais do que as críticas estrangeiras, é a mobilização crescente dos internautas chineses contra o sofisticado sistema de censura que pode preocupar o governo em caso de uma saída do Google. Em janeiro, algumas pessoas colocaram flores na sede da empresa americana em Pequim para marcar sua vontade de vê-la continuar na China. Na rede, as discussões entre internautas sobre a saída do Google eram, na terça-feira, um dos assuntos censurados pelas autoridades.

O Google, por sua vez, também se ateve a uma posição cada vez mais inflexível quanto à censura: a firma é uma das três empresas americanas – junto com a Microsoft e o Yahoo! – a fazer parte, desde 2008, no conselho dos diretores do GNI, da iniciativa mundial das redes que elaborou um pacto para lutar contra a censura dos governos autoritários. O Google também está no centro dos debates sobre novas legislações americanas sobre a questão.

Uma saída teria suas consequências para a empresa californiana: a China conta com a maior população de internautas do mundo, com 384 milhões de pessoas. Ainda que as avaliações sejam insuficientes, esse país se tornará o maior mercado do mundo da Web. Portanto, não é de se espantar que suas ações tenham caído 2,82% na segunda-feira, em Nova York.

Sem o Google.cn, o mercado poderá ver surgir um concorrente local em Baidu, que possui quase 63% da participação de mercado na China e respeita rigidamente as regras da censura. Alguns especialistas especulam sobre o Yahoo! China, que pertence ao gigante chinês do comércio eletrônico Alibaba, que se encontra em conflito aberto com a Baidu. Por enquanto, o Yahoo! China possui menos de 1% da participação de mercado.

Sem o Google.cn, os gigantes americanos da Web são minoritários na China: a Amazon só detém 8% do mercado local em sua área; Elong, filial chinesa do site de viagens Expedia, 10%; o eBay deixou a China; o Facebook é bloqueado lá e o MSN, da Microsoft, só possui 4% do serviço de mensagens instantâneas, contra 77% para o QQ da chinesa Tencent.

Tradução: Lana Lim

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