UOL Notícias Internacional
 

25/03/2010

Hillary Clinton promete maior auxílio americano contra os cartéis de droga no México

Le Monde
Frédéric Saliba
Na Cidade do México
  • O presidente do México, Felipe Calderón, cumprimenta a secretária de Estado dos EUA, Hillary Rodham Clinton, durante visita à residência presidencial

    O presidente do México, Felipe Calderón, cumprimenta a secretária de Estado dos EUA, Hillary Rodham Clinton, durante visita à residência presidencial

Hillary Clinton, a secretária de Estado americana, esteve na Cidade do México na terça-feira (23), acompanhada por todo o gabinete de segurança da Casa Branca, para reforçar a cooperação entre os dois países na luta contra os cartéis da droga, um combate de resultados mornos.

Foi a primeira vez que tantas autoridades americanas encarregadas da segurança estiveram no México: Robert Gates, secretário da Defesa, Janet Napolitano, secretária da Segurança Interna, Michael Mullen, chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, Dennis Blair, diretor da Inteligência Nacional, Michele Leonhart, diretora interina da Agência Anti-Drogas (DEA).

A reunião do grupo de alto nível responsável pela estratégia de segurança bilateral, a segunda até hoje, acontece após o assassinato de três pessoas, entre elas dois americanos, ligadas ao consulado dos Estados Unidos da cidade fronteiriça de Ciudad Juarez, no dia 13 de março.

“Nós aceitamos nossa parcela da responsabilidade”, declarou Hillary Clinton, antes de se reunir com o presidente mexicano, Felipe Calderón. “Mas no final das contas, isso não tem nada a ver com discussões ou reuniões, trata-se de resultados. Nós trabalhamos hoje sobre uma estratégia integral”.

Calderón irá a Washington nos dias 19 e 20 de maio. A presidência americana, por sua vez, anuncia medidas contra o tráfico de armas e o consumo de drogas para melhorar a Iniciativa Mérida. Votado durante a administração Bush, em 2008, esse plano comum de luta contra os cartéis prevê uma ajuda logística e de treinamento de US$ 1,3 bilhão (R$ 2,34 bilhões), cedida ao México pelos Estados Unidos. Esse programa de três anos terminará em outubro de 2010. Um orçamento adicional de 310 milhões para 2011 foi anunciado em fevereiro pela administração Obama, que quer se preparar para o “pós-Mérida”.

Segundo a ministra mexicana das Relações Exteriores, Patrícia Espinosa, foram definidos quatro objetivos principais: “O desmantelamento das estruturas de cartéis, um apoio mútuo para reforçar as instituições de segurança, o desenvolvimento de uma fronteira segura e competitiva para o século 21 e a intensificação da coesão social entre as comunidades dos dois países”. Um escritório composto por agentes dos dois países será aberto no México. Especialistas americanos treinarão seus colegas mexicanos nas técnicas de inteligência para melhorar as estratégias de luta contra a lavagem de dinheiro, favorecer a troca de informações e o acompanhamento das ações de segurança.

Esse sistema é destinado a conter a onda de violência sem precedentes que assola o México. Apesar dos 50 mil militares mobilizados nos Estados mexicanos mais afetados, mais de 15 mil homicídios foram cometidos desde que o presidente Calderón declarou guerra aos cartéis no fim de 2006.

Entretanto, alguns especialistas mexicanos temem que o crescente envolvimento do poderoso vizinho ameace a soberania do México. “Essa visita estava prevista há muito tempo, mas o assassinato de dois americanos em Ciudad Juarez obriga os Estados Unidos a se envolverem ainda mais”, observa Samuel González, especialista em crime organizado da Universidade Nacional Autônoma da Cidade do México (UNAM). “Os americanos se conscientizaram de que sua segurança interna está ameaçada”.

“Os agentes especiais americanos vão reforçar sua presença em nosso país”, observa por sua vez José Manuel Valenzuela Arce, pesquisador do Colegio de la Frontera Norte, denunciando os riscos de atentado à “soberania nacional” do México.

É preciso temer no final a presença direta de militares americanos, a exemplo do “Plano Colômbia”, instaurado em 1999 para combater as máfias a e guerrilha? “Nós não temos a intenção de autorizar o desdobramento de tropas americanas sobre o território mexicano”, garante o embaixador do México em Washington, Arturo Sarukhan. “Os americanos se contentarão, por enquanto, em fazer pressão sobre o governo mexicano para erradicar a corrupção e a impunidade dos políticos e das forças de ordem que mantêm o crime organizado”, acredita Samuel González. “Mas se nada for feito, existe um risco de ingerência no final”.

Os mexicanos acreditam que os cartéis estão vencendo a guerra

A “guerra” lançada contra os cartéis pelo presidente mexicano, Felipe Calderón, provocou um aumento na violência, na opinião de 89% dos mexicanos. Segundo pesquisa publicada pelo jornal mexicano “Milenio”, na terça-feira (23), 59% dos mexicanos acreditam que “o crime organizado está ganhando a guerra”, ao passo que 21% pensam que o governo é que está com a vantagem.

Além disso, 39% dos mexicanos entrevistados acreditam que os direitos humanos e a vida dos criminosos não devem ser respeitados. “Um número horrível”, segundo o “Milenio”. “Quatro em cada dez mexicanos querem uma justiça rápida”.

Tradução: Lana Lim

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