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27/03/2010

Dominique de Villepin tenta ocupar o espaço deixado no centro

Le Monde
Pierre Jaxel-Truer
  • O ex-primeiro-ministro francês Dominique de Villepin durante entrevista coletiva na qual anunciou a criação de um novo partido de centro-direita

    O ex-primeiro-ministro francês Dominique de Villepin durante entrevista coletiva na qual anunciou a criação de um novo partido de centro-direita

Há fracassos que aguçam os apetites. Quatro dias após o desastre da direita nas eleições regionais, um ávido Dominique de Villepin se dedicou, na quinta-feira (25), a um pesado ataque contra a política de Nicolas Sarkozy.

O ex-premiê convidou os jornalistas ao Press Club de Paris, com o pretexto de anunciar a criação de seu novo partido, no dia 19 de junho. Ele garante que será “livre e independente”. Em outras palavras, essa estrutura, cujo nome não foi revelado, lhe permitirá recolher doações de particulares para continuar a trilhar seu caminho para a eleição presidencial de 2012.

Diante de uma selva de câmeras, Villepin se pôs, sobretudo, a criticar ponto a ponto a política conduzida pelo presidente da República. O resultado das eleições regionais? “É o fracasso de uma estratégia, o fracasso de uma política”, garante Villepin. “Não podemos aceitar viver em um país onde situações de desigualdade e de injustiça atinjam tal nível, e é por isso que me sinto incomodado com a política que é conduzida pela maioria”.

Segundo o ex-primeiro-ministro de Jacques Chirac, reerguido pela sua absolvição no caso Clearstream, enquanto aguarda o julgamento de recurso, é preciso recolocar tudo sobre a mesa. Para lutar contra os déficits, ele exige a “suspensão do escudo fiscal”, “o aumento da mais alta alíquota do imposto sobre a renda para 45%” e “um incremento no imposto das maiores empresas, de 10% a 15%”. Ao defender o Estado, ele rejeita a política de não-substituição de um em cada dois funcionários públicos que se aposentam: “A política da plaina nunca é uma boa política”.

“Muitos cálculos”
A lei sobre a burca e a luta contra a falta de segurança, que voltaram a ser enfatizadas na véspera por Sarkozy? “Bate-se nas teclas da burca, da segurança, e eis que vemos uma subida nas pesquisas de opinião! Mas nenhum partido político pode ganhar se a França perder. Em algum momento será preciso dizer: a República não é isso. São muitos jogos, são muitas manobras, são muitos cálculos”.

A aposta de Villepin, que repete o slogan “a França solidária”, consiste em se aproveitar do atual anti-sarkozysmo para ocupar o espaço que se abre no centro com a queda do MoDem [Movimento Democrata] de François Bayrou.

Villepin, que se diz “gaullista social”, se pretende, assim como François Bayrou, acima da “separação partidária” direita-esquerda. Como ele, em 2007, deve compensar sua falta de estrutura militante com um embalo midiático. Por enquanto, ele consegue suscitá-lo: seu discurso foi transmitido ao vivo em diversos canais de informação sem interrupção, quase 150 jornalistas foram escutá-lo. Ele faz sucesso até mesmo no exterior: americanos e japoneses, entre outros, assistiram a seu show.

Mas Villepin não é o único a querer preencher o espaço vazio do centro. Duas horas antes dele, Hervé Morin, presidente do Novo Centro, partido que reúne os antigos aliados de Bayrou, que se aproximaram da UMP após as eleições presidenciais de 2007, lançou um apelo à reunião da “família centrista”. Com isso ele pretendia ter um candidato para as presidenciais de 2012.

Paralelamente, Jean-Louis Borloo, presidente do Partido Radical, também associado à UMP, também se perguntou, na rádio Europe 1, se não seria hora de considerar, entre a maioria presidencial, a reemergência de um partido centrista mais bem identificado. “Não viram direito que o desaparecimento temporário de Baryou, que estabelecia um eleitorado, causa tantos problemas à UMP quanto a Bayrou”, afirmou o ministro da Ecologia na rede Europe 1. “No campo político, sempre houve uma direita bonapartista, centralizadora, e sempre houve os girondinos, a UDF” e “é esse desaparecimento que hoje causa um problema para a maioria presidencial”. É hora de tentar recompor as direitas.
 

Tradução: Lana Lim

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