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31/03/2010

Nicolas Sarkozy pede aos Estados Unidos que trabalhem mais com a Europa

Le Monde
Natalie Nougayrède
  • Nicolas Sarkozy chegou na Casa Branca para sua primeira conversa com o presidente Barack Obama pressionando por fortes sanções contra o Irã e a crise na União Europeia

    Nicolas Sarkozy chegou na Casa Branca para sua primeira conversa com o presidente Barack Obama pressionando por fortes sanções contra o Irã e a crise na União Europeia

Um apelo aos Estados Unidos sob forma de advertência. Longe do discurso elogioso aos valores e à cultura dos americanos que ele pronunciou em novembro de 2007 perante o Congresso em Washington, Nicolas Sarkozy pediu, na segunda-feira (29), que os Estados Unidos não se retraíssem sobre si e trabalhassem mais junto com a Europa para enfrentar os desafios globais, sendo a crise financeira o principal deles. O presidente francês falou sob a cúpula da Universidade de Columbia em Nova York, onde Barack Obama estudou ciências políticas.

Sarkozy faz sua primeira visita bilateral aos Estados Unidos desde a eleição do presidente americano, que deve recebê-lo na terça-feira na Casa Branca para uma reunião, e depois um jantar.

“Na Europa, somos seus amigos, mas queremos que nos ouçam nos Estados Unidos, e que reflitamos juntos. Vocês pertencem à primeira potência do mundo. [Esta] deve exercer uma liderança, mas também deve dividir, escutar, debater”, declarou Sarkozy. Em um “mundo multipolar”, continuou, os Estados Unidos e a Europa “devem trabalhar juntos” para “trazer novas respostas”.

A alusão parecia visar a falta de interesse pela Europa muitas vezes criticada em Barack Obama. Mas Sarkozy se dedicou sobretudo a uma crítica sobre a forma como operam Wall Street e o mercado financeiro. E assim o chefe de Estado afinou temas que serão seus cavalos de batalha do G20 e do G8, em 2011: a regulação francesa, a reforma do sistema monetário internacional, e a da governança mundial.

Em todos esses terrenos, ele pede aos Estados Unidos que se juntem à Europa para convencer com mais facilidade os novos pólos emergentes, no Sul e na Ásia.

“A economia de mercado sem regras será a morte do capitalismo”, disse Sarkozy. Com o presidente dos Estados Unidos, ele quer ”falar de uma coisa”: como impedir que a crise financeira desencadeada em 2008 se repita. “O que se pode dizer a um desempregado que vê que a economia mundial pode degringolar, pois alguns irresponsáveis ‘brincaram’ com as Bolsas, os produtos derivados, o dinheiro dos outros?”, perguntou o presidente francês, criticando a “especulação”.

Em 2007, Sarkozy havia operado uma aproximação com os Estados Unidos cuja imagem estava desgastada no mundo, um país dirigido por um presidente enfraquecido, George Bush, que estava mais do que feliz em receber uma visita amigável.

Em 2010, o chefe do Estado francês mudou de tom, e começou com uma lição sua visita a um presidente americano carismático, que acaba de ser revigorado pela votação do sistema de saúde no Congresso e pelo acordo nuclear com os russos. Nicolas Sarkozy elogiou a “coragem” de Obama na luta pelo plano de saúde, mas logo acrescentou que “na França, faz cinquenta anos que resolvemos o problema. Na França, não lhe pedirão seu cartão de crédito antes de aceitá-lo em um hospital”, disse, recebendo aplausos da sala cheia de estudantes.

Sobre o Afeganistão, Sarkozy não falou muito. Em janeiro, ele se recusou a aumentar o número de soldados combatentes franceses, apesar dos pedidos americanos. “Na França, não é fácil explicar por que soldados franceses morrem no Afeganistão”, observou na quinta-feira.

“Um EUA aberto”

Na véspera, Barack Obama havia feito sua primeira viagem ao Afeganistão. Sarkozy reiterou o envolvimento militar francês enquanto durasse o dos americanos: “Nós permaneceremos no Afeganistão com vocês, pois a luta contra o terrorismo diz respeito a todos nós”. Mas ele estava longe do tom do discurso de 2007, quando declarou: “Toda vez que um soldado americano morre no mundo, penso no que o exército americano fez pela França”.

Em setembro de 2009, na tribuna da ONU, Obama lançou um apelo aos parceiros dos EUA para que eles viessem em seu auxílio. “Aqueles que costumam criticar os Estados Unidos não podem ficar sem fazer nada e esperar que agora os Estados Unidos resolvam sozinhos os problemas do mundo”, afirmava então.

Já Sarkozy, na segunda-feira, pareceu criticar os Estados Unidos por não terem atacado com determinação suficiente os problemas do mundo. “Vocês nunca devem se retrair sobre si mesmos. O mundo precisa de um EUA aberto e generoso. Vocês são muito amados, mas quando são menos amados, é porque todos esperavam tanto de vocês que acabaram se decepcionando”.

Tradução: Lana Lim

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