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07/04/2010

Mulheres sozinhas imigram cada vez mais para outros países ou regiões

Le Monde
Brigitte Perucca
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    Brasileira Silvia Morello exibe seu passaporte e diz que prefere viajar sozinha

Uma socióloga analisou a trajetória de mulheres imigrantes. O reencontro familiar não é mais a única motivação.

Quem são essas mulheres que constituem a metade dos 214 milhões de imigrantes no mundo? Quais são suas trajetórias, suas aspirações? Ainda que o reencontro familiar continue sendo um motivo importante de deslocamento, a migração de mulheres acontece cada vez mais de forma individual. É essa a observação depreendida não dos números, muito raros nesse aspecto da migração, mas de estudos sociológicos.

Em “Migrer au féminin” [em tradução livre, “Migrar no feminino”], a ser publicado em 16 de abril, Laurence Roulleau-Berger, diretora de pesquisa do CNRS, revela um pouco sobre as trajetórias de 187 mulheres vindas da China, da África subsaariana, do Magreb, da Europa Central e Oriental que moram na França há menos de dez anos. A socióloga também entrevistou alguns de seus empregadores.

Uma característica comum a todas essas mulheres é que sua migração, garante Roulleau-Berger, demonstra uma conquista de sua autonomia. Ainda que as razões econômicas certamente sejam a causa principal de sua partida, “o desejo de se realizar” chega bem perto. “Essas mulheres que migram decidiram partir para ter acesso ao ‘governo de si mesmas’”, garante a socióloga, retomando uma expressão do filósofo Michel Foucault.

Sua posição no mercado de trabalho depende de sua capacidade de falar ou não a língua do país receptor. “Se elas não se sentem seguras quanto à língua, a primeira etapa será muitas vezes trabalhar em um enclave étnico”. Todas as comunidades possuem seu equivalente a uma “Chinatown”, que distribui o trabalho pelas empresas controladas pela diáspora, no setor têxtil ou de restaurantes.

O “nicho étnico” constitui um passo adiante na direção da integração. Ao contrário dos enclaves, os empregadores são cidadãos e as populações estrangeiras ali se misturam entre diferentes nacionalidades e origens, como nas empresas de limpeza.

“Os empregadores contribuem para a formação dos nichos étnicos e pluriétnicos ao favorecer a contratação de mulheres imigrantes originárias de um mesmo país”, escreve Roulleau-Berger. Às vezes com argumentos que estão no limite do racismo. “Eu me vi com 50 mulheres do Laos e 15 francesas. Então por que isso deu certo? Acho que porque as asiáticas têm uma cultura da empresa, da família, uma cultura da qualidade (...). Tudo de que precisamos, elas têm em si (...). Elas também ficam contentes porque eu lhes pago por peça. Então, algumas levam suas peças para casa e continuam a trabalhar à noite”, conta esse dono de empresa de produtos farmacêuticos em Marselha.

Comerciantes

Além das mulheres em situação ilegal, em situação de grande insegurança social, recrutadas nos serviços como os de babá, auxiliares de idosos etc., necessárias em uma Europa que envelhece, e das mulheres muito qualificadas que compõem uma parte das elites internacionais, a sociológica também expõe as comerciantes que atravessam o mundo.

Assim como as africanas que comercializam bijuterias ou roupas que vão buscar na Arábia Saudita e na Itália, e revendem na França ou no Senegal, essas imigrantes “fabricam a globalização e em outros momentos são objeto dela”, comenta a socióloga.

A senegalesa Tyffanie diz: “Comecei a economizar para fazer comércio de cosméticos que exportamos para o Senegal. Nós os compramos na Itália, nos Estados Unidos e recentemente começamos a vender bijuterias que compramos na China (...). Viajo muito e trabalho com outras pessoas, senegalesas e de outras nacionalidades que estão nos países para onde vou, isso facilita minhas viagens e meus deslocamentos para comprar mercadoria”.

Essas “empresas étnicas” de fato só podem funcionar com redes desse tipo, típicas de uma “globalização por baixo” e das quais as mulheres dispõem em seu país de origem. Um capital que, apesar de não ser polpudo, ainda assim é fundamental.

Tradução: Lana Lim

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