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08/04/2010

Hamid Karzai, presidente do Afeganistão, mira artilharia contra os aliados

Le Monde
  • O presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, que não para de fazer acusações contra aliados

    O presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, que não para de fazer acusações contra aliados

No Afeganistão, os ocidentais enfrentam os talebans. Mas eles também têm um problema Karzai. Sustentado com dificuldades, tanto econômicas quanto militares, pelos americanos e europeus, o presidente afegão, Hamid Karzai, não para de criticar seus aliados. Até então ele costumava fazê-lo de forma privada. Nos últimos dias, por três vezes, ele lhes dirigiu em público críticas tão injustificadas quanto injustificáveis.

Ao Parlamento, na quinta-feira (1º), Karzai declarou que a ONU e “os estrangeiros” conspiravam para enfraquecer seu governo. Isso desagradou a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, que lhe deixou claro no dia seguinte em uma conversa telefônica. Perda de tempo. O presidente afegão reiterou seus ataques nos dias seguintes. Dirigindo-se a parlamentares, ele chegou a defender os talebans – a insurreição islâmica conduzida por guerreiros da etnia dominante no país, os pashtuns. Ele justificou sua ação evocando a “ingerência” ocidental. Antes de ameaçar se juntar aos talebans caso a chamada “ingerência” continue...

Como dizem os britânicos, com amigos assim, quem precisa de inimigos?

Duas explicações são propostas em Cabul. A primeira diz que Karzai, eleito sob controvérsia e com sua legitimidade em discussão, está apostando em um nacionalismo afegão exigente para ganhar prestígio. Ele o faz denunciando a presença estrangeira, e em um tom ainda mais intenso, uma vez que os americanos atualmente estão conduzindo uma ampla ofensiva contra os talebans. Ele o faz porque teria aceitado mal as críticas feitas a ele por Barack Obama no início do mês durante uma visita de algumas horas a Cabul. O presidente americano teria criticado a corrupção e a ineficácia do governo de Karzai.

A segunda explicação é mais preocupante: Karzai acredita no que diz. Ele teria certeza de que os ocidentais estão no Afeganistão para ficar. Ele estaria buscando alianças alternativas – daí a visita recente a Cabul do iraniano Mahmoud Ahmadinejad e os acenos dirigidos a Pequim.

Seja qual for a explicação – e as vias de Hamid Karzai certamente são complexas - , é com urgência que algumas verdades devem ser lembradas ao presidente afegão.

A primeira é que americanos e europeus têm um único desejo: sair do Afeganistão. Eles foram para lá depois dos atentados de 11 de setembro de 2001 porque os talebans, então no poder, abrigavam e apoiavam a Al-Qaeda. Eles só permaneceram lá para garantir que os talebans não retomassem o poder com as mesmas intenções: abrigar todos os aprendizes jihadistas do mundo. Eles estão lá com o acordo pleno de toda a oposição afegã aos talebans – a começar por Karzai – e com o sinal verde da ONU.

Enfim, os ocidentais partirão de lá assim que tiverem o apoio do governo Karzai na luta contra a corrupção, a fraude eleitoral, o nepotismo e má administração. Infelizmente, ainda não é o caso.

Tradução: Lana Lim

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