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09/04/2010

Cidade francesa vítima da tempestade Xynthia entra em pé de guerra por causa da reconstrução

Le Monde
Philippe Ecalle

Atrás das barracas de frutas e legumes, neste fim de tarde de quarta-feira, 7 de abril, Laurent Ricou sofre em silêncio. O verdureiro de La Faute-sur-Mer, o município mais duramente atingido pela tempestade Xynthia, com suas 29 mortes, ainda não tem informações precisas sobre o número de casas que serão demolidas. “Talvez amanhã”, diz.

As informações começaram a vazar assim que o prefeito, Jean-Jacques Brot, encontrou os parlamentares de La Faute e de Aiguillon-sur-Mer, os dois municípios mais atingidos. E depois o verdureiro ouviu o prefeito de L ‘Aiguillon, Maurice Milcent, manifestar sua fúria no telejornal. Laurent Ricou fala em 500 casas que seriam demolidas (na verdade 674, das quais 92 são residências principais). O dobro do que estava sendo considerado até então.

“Não é complicado, 500 casas são cerca de 3 mil pessoas”, calcula. “Se a isso somarmos 3 mil, do acampamento que o prefeito acaba de fechar, são 6 mil no total”. Para ele, que tem 80% de seu faturamento entre abril e outubro, “é uma catástrofe”.

Catástrofe também para Nathalie, dona do bar do Lay, em frente ao acampamento municipal fechado por decisão da prefeitura. “Será que eles se dão conta do que estão fazendo?”, se pergunta. “Eles querem nos usar de exemplo”.

“Não arredaremos pé”

Normalmente, nessa época, seu estabelecimento estaria começando a se encher de frequentadores, aposentados, em sua maioria. Antes da correria do verão... “É um acampamento muito descontraído. Com pessoas simples”. Mas Nathalie se desmotivou. “Não tenho ânimo”, suspira. Mas ela tenta se convencer de que nem tudo acabou: “Espero que as pessoas lutem, não se deixem abater”.

É também a mensagem que Renaud Pinoit quer passar. Junto com outros, ele criou a Associação das Vítimas das Inundações de La Faute-sur-Mer (AVIF). “Sabemos que essa batalha será muito longa, mas não arredaremos pé”, garante, ao mesmo tempo em que se questiona sobre a pressa do Estado: “Talvez fosse preciso esperar um pouco mais antes de decidir que lugar demolir... É muito brutal para as pessoas, sobretudo os idosos, que construíram isso aqui, e para quem essas casas são toda sua vida”.

Renaud Pinoit também se espanta com a “ausência dos políticos” junto às populações atingidas. O prefeito deveria apresentar a estas as decisões do Estado, no decorrer de duas reuniões públicas distintas. “Vamos tentar protegê-las, fazer com que sejam bem indenizadas”, garantem na AVIF, que contratou Corinne Lepage como advogada.

Como se temesse as consequências de uma nova tempestade, dessa vez administrativa, o Estado previu a instalação de unidades de apoio psicológico para os ocupantes das casas em questão.

Tradução: Lana Lim

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