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09/04/2010

Nicolas Sarkozy e sua esposa tentam encerrar a polêmica dos rumores

Le Monde
Arnaud Leparmentier
  • Escultura do presidente francês Nicolas Sarkozy e sua esposa, Carla Bruni, no festival Las Fallas, em Valência, Espanha

    Escultura do presidente francês Nicolas Sarkozy e sua esposa, Carla Bruni, no festival Las Fallas, em Valência, Espanha

Nicolas Sarkozy e sua esposa Carla Bruni foram à guerra, na quarta-feira (7), em reação à crise política que ameaçava estourar, tendo por pano de fundo os rumores de infidelidade entre o casal presidencial. O caso começava a virar um confronto político entre Sarkozy e sua ex-ministra da Justiça, Rachida Dati, acusada pela equipe presidencial de ter espalhado esses rumores.

Carla Bruni falou à rádio Europe 1, às 18h50. “Vim para evitar que um caso que não tem nenhuma importância assuma proporções que considero ridículas”, explicou a esposa do chefe de Estado.

Às 8h30 da manhã, Sarkozy participou excepcionalmente da reunião de seus principais colaboradores, presidida pelo secretário-geral do Eliseu, Claude Guéant. Ele lhes ordenou enfaticamente que não dissessem mais uma palavra sobre o caso.

Nem uma palavra no conselho dos ministros que se seguiu. Os ministros estão muito constrangidos, sendo que na semana que vem será iniciada a reforma da aposentadoria e que Sarkozy irá a Washington para a conferência sobre o desarmamento nuclear. “Esse caso irrita terrivelmente nosso eleitorado”, conta anonimamente um ministro. Ninguém ousa falar disso: “Eu me mantenho sabiamente à distância desse tipo de assunto”, diz um segundo. A reação do ministro da Identidade Nacional, Eric Besson, é um pouco como a de seus colegas: “Eu não acho, não penso. Podem me torturar, não vou alimentar esse assunto”, garante.

Sobre os temas que o atingem intimamente, como seu divórcio com Cécilia, o caso Clearstream, ou a candidatura de seu filho Jean à administração do bairro de La Défense, Sarkozy teve reações arrebatadas. O mesmo aconteceu com esses rumores que nada confirma: “É um assunto que tirou o presidente do sério”, conta um conselheiro do Eliseu.

A DCRI contradiz Carla Bruni. Para minimizar o caso, Bruni garantiu que não houve investigação policial. “Não se faz inquéritos sobre fofocas... é inimaginável dizer coisas do tipo”, garantiu.

Bernard Squarcini, chefe da direção central da inteligência interna, a contradisse. “Meu serviço foi solicitado por minha autoridade reguladora, o diretor-geral da polícia nacional, Frédéric Péchenard, no início de março”, a respeito desse caso de rumores, explicou Squarcini à agência AFP. E isso foi feito com o intuito de “efetuar um rastreamento informático o mais perto possível do ponto de partida e, se possível, da fonte. Trabalhamos nisso até a abertura do inquérito judicial”. Entretanto, não houve relatório escrito.

Squarcini reafirmou, como explicou o “Le Monde” do dia 8 de abril, que “a DCRI não realizou nenhuma escuta telefônica nesse caso, nem nenhuma investigação que visasse Rachida Dati”. O ministério do Interior não se opôs à explicação de Squarcini.

As origens de um caso complexo. Há semanas que os círculos parisienses borbulham com rumores de infidelidade a respeito do casal presidencial. O caso foi mencionado em 9 de março de forma explícita por um blog hospedado pelo site JDD.fr [Le Journal du Dimanche]. Os tabloides britânicos se apoderaram do assunto, seguidos pela imprensa europeia. Na França, a imprensa se cala.

Em Londres, no dia 12 de março, durante um encontro com o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, Nicolas Sarkozy foi questionado sobre os rumores. Ele respondeu que não tinha “um segundo” nem “meio segundo” a perder com essas “elucubrações”. A imprensa francesa registrou discretamente o desmentido, e o caso parece enterrado.

Rachida Dati visada pelo Eliseu

O caso voltou a ganhar evidência quando o “Le Canard”, e depois o “Le Monde”, noticiaram que Dati era suspeita pela equipe presidencial de ter espalhado o rumor. A notícia estourou durante o fim de semana de Páscoa.

O site da internet do “Nouvel Observateur” revelou que o “Journal du Dimanche”, que demitiu dois funcionários, prestou queixa no dia 28 de março. “O medo deve mudar de lado”, disse então Pierre Charon, assessor do presidente. No domingo, no site Rue89, Charon mencionou “algum tipo de complô organizado com movimentos financeiros”.

Por fim, na terça-feira, foi o advogado do presidente, Thierry Herzog, que disse acreditar que a forma como os rumores se espalharam “certamente não foi neutra”. O caso se tornou político quando Rachida Dati, acusada pessoalmente, contra-atacou. Na quarta-feira de manhã a ex-ministra da Justiça declarou à RTL: “Estou sendo acusada indiretamente. Nós estamos em um Estado de direito, isso precisa parar”.

Operação abafa

A presidência sente o perigo. A operação abafa se faz em três atos. Primeiro, pôr um fim no conflito com Dati. “É como no caso Clearstream. Sarkozy estava passando da condição de vítima para a de culpado”, lamenta um ministro.

Claude Guéant, secretário-geral do Eliseu, que havia explicado na terça-feira ao jornal satírico “Canard enchaîné” que o presidente não pretendia encontrar Dati, aplacou os ânimos na quarta-feira de manhã. “Foi ontem. A verdade de ontem talvez não seja a verdade de hoje”, disse à AFP.

À rádio Europe 1, Carla Bruni garantiu que Rachida Dati, com quem mantém relações complicadas, “continua sendo nossa amiga”. A acusação contra ela é “um rumor”. “Então não acredito nisso”, encerra Bruni.

O semi-abandono do assessor Pierre Charon

Segunda etapa da Operação abafa: cuidar do caso Charon. “Ele não agiu em caráter oficial”, garantem no Eliseu. Para Carla Bruni, ele reagiu com “o ímpeto da amizade”. “Pierre Charon levou tudo isso muito a sério. Ele agiu como um amigo, quis nos defender”.

Seu amigo, o ministro do Interior Brice Hortefeux, minimiza o lado marcial de suas declarações. “O medo deve mudar de lado? É uma expressão que Charon usa o tempo todo”. Charon, que não quis atender nossas ligações, ainda estava no cargo, na quinta-feira de manhã.

O mais urgente: virar a página do terceiro ato, minimizar o caso. “Os rumores sempre existiram. Não há complô, não há vingança”, explicou Carla Bruni. Assim como seu marido, ela reagiu bruscamente, “legitimamente chocada pelo alastramento dos rumores”, explica um amigo. “Viramos a página há tempos”, garantiu Carla Bruni.

Tradução: Lana Lim

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