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10/04/2010

As cinco falhas do sarkozysmo de olho nas eleições de 2012

Le Monde
Sophie Landrin e Arnaud Leparmentier
  • O presidente francês Nicolas Sarkozy em cerimônia militar em Thones, nos Alpes franceses

    O presidente francês Nicolas Sarkozy em cerimônia militar em Thones, nos Alpes franceses

É sua peregrinação. Sua Rocha de Solutré, que François Mitterrand escalava toda segunda-feira de Pentecostes. Nicolas Sarkozy, na quinta-feira (8), veio caminhar no planalto de Glières (Haute-Savoie), meca da resistência. Foi aqui que o candidato, na véspera da eleição presidencial de 2007, veio entregar sua última mensagem aos eleitores, prometendo voltar todos os anos. Três anos mais tarde, assim como Mitterrand, Sarkozy tenta dominar o tempo, após seu fracasso nas eleições regionais.

Uma derrota, que derrota? O chefe de Estado está em negação. “Não há por que fazer um drama sobre a derrota nas regionais”, explica o Palácio do Eliseu, que quer acreditar em uma recuperação, comparável àquela que se seguiu ao seu fracasso nas eleições europeias de 1999, quando era chamado de “Senhor 12%”.

O chefe de Estado nega qualquer responsabilidade, explicando que não pôde fazer campanha na França metropolitana. Em compensação, quando ele se posicionou, tanto em Réunion quanto na Guiana – durante uma visita-relâmpago de três horas - , a direita venceu. O chefe do Estado acredita na reconquista, mas os trunfos do sarkozysmo foram seriamente comprometidos no verão de 2009.

As paixões privadas
Prioridade: sair desse rumor insano sobre sua vida privada. O chefe do Estado espera que sua esposa, com sua declaração à rádio Europe 1, na quarta-feira (7), tenha encerrado o assunto. O problema é que as crises pessoais estão se tornando regulares e perturbam o Executivo. Os rumores, que o “tiraram do sério”, segundo um assessor, se somam à série regular de polêmicas pessoais. “Nicolas Sarkozy abandonou a função política”, explicava uma pessoa próxima, durante seu divórcio com Cécilia.

Em setembro de 2009, em Nova York, o chefe de Estado não conseguiu evitar se referir aos acusados no caso Clearstream como “culpados”. Em seguida veio a eleição prevista de seu filho Jean para a administração do bairro empresarial de La Défense. Sarkozy só detectou um complô contra sua família. “É muito elegante”, acusa o chefe de Estado, depois de ter exaltado em um discurso a igualdade republicana. Ele só se deu conta da extensão do mal-entendido quando centenas de jornalistas estrangeiros correram até La Défense.

A presidencialização impossível
Esses episódios enfraquecem os esforços de “presidencialização” de Sarkozy. Desde 31 de dezembro de 2009, entre suas promessas, ele tenta bancar o unificador. Em meio à polêmica sobre o debate sobre a identidade nacional, ele apela à “fraternidade” e ao diálogo.

Ele muda de estilo durante suas visitas a fábricas. Em Cholet em janeiro, ele se coloca no meio dos operários, comemora “o bom clima”, quer um debate público com “menos insultos”. Em seguida, na rede TF1, ele abriu um debate com alguns franceses, sob mediação de Jean-Pierre Pernaut, o inventor da televisão de proximidade com o telespectador. Mas o programa foi perturbado pela polêmica sobre o salário de Henri Proglio, novo presidente da EDF [Électricité de France] que ele optou por defender. Com grande audiência, o programa não conseguiu conter sua queda nas pesquisas.

Depois das regionais, Sarkozy se tornou mais como Chirac. Durante uma mesa-redonda em uma fazenda de Essone, na terça-feira (6), ele desistiu de qualquer declaração de abertura. Fim dos “eu quero” ou “eu não aceitarei”. Ele chega sem anúncios milagrosos, escuta seus opositores que não mudam de ideia. “O que posso dizer a meus partidários, de quem estão retirando 80 euros de subsídio por hectare?”, insiste um sindicalista do setor cerealista.

O fim do mito da pessoa insubstituível
Sarkozy seria o candidato certo para 2012? A dúvida se instalou. No auge da crise, a questão nem era levantada: “Imagine se Ségolène Royal tivesse sido eleita presidente!”, repetiam os mais próximos a Sarkozy. As eleições regionais derrubaram o tabu. A primeira secretária do Partido Socialista, Martine Aubry, foi considerada confiável.

À direita, as ambições renascem. As de Dominique de Villepin, é claro, de Jean-François Copé, jovem líder do grupo UMP na Assembleia, mas também de Alain Juppé, que anunciou sua candidatura às primárias da UMP. Somente se Sarkozy não se candidatar, que fique claro. O ex-ministro do Orçamento Alain Lambert não tem essas reservas. Em seu blog, no dia 2 de abril, ele denunciou “o coro dos hipócritas... para dizer que [Nicolas Sarkozy] continuava sendo nosso salvador”. Para o senador de Orne, o chefe do Estado “não está em condição de vender nossas ideias em 2012”.

Os dogmas do sarkozysmo abalados
Foi aberta uma brecha com o abandono da taxa carbono, outrora apresentada como uma revolução comparável à abolição da pena de morte. Seu destino foi selado com uma frase durante o salão da agricultura em março. “Já chega de meio ambiente”. Agora é o escudo fiscal, dogma fundador do sarkozysmo 2007, que é contestado na UMP. O chefe do Estado garante que não quer tocar nisso, mas ele vem preparando discretamente os espíritos para um aumento de impostos durante a reforma da aposentadoria. O Palácio do Eliseu agora fala em uma “dedução específica” que poderá atingir as rendas mais altas.

A falta de projetos
Uma pausa, que pausa? O chefe de Estado havia explicado à “Figaro Magazine” antes das regionais que ele faria uma “pausa” no fim de 2011. Ninguém guardou a data, somente a palavra pausa. “Me expressei mal”, admitiu Sarkozy. Na verdade, seu único projeto é o da aposentadoria. O ministro do Interior, Brice Hortefeux, filosofou, citando Eclesiastes: “Há tempo de plantar, há tempo de colher”. Os ministros se preocupam. “É verdade que há um buraco”, comenta um deles.

Todos se perguntam sobre o projeto para 2012, sendo que o trio mágico, que levou à vitória em 2007 (Claude Guéant, secretário geral do Eliseu, Henri Guaino, “redator” do presidente, e Emmanuelle Mignon, assessora de Sarkozy) está sendo minado por suas divisões. Mignon deixou o Eliseu, Guaino evita as reuniões da manhã. No Natal, Sarkozy explicou que só voltaria a se candidatar se tivesse um “novo sonho” para propor aos franceses.

Tradução: Lana Lim

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