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13/04/2010

Apesar da aproximação com Moscou, o lugar da Polônia é na Europa

Le Monde

Há tragédias que parecem maldições. A que ocorreu no sábado (10) em Smolensk, no oeste da Rússia, parece uma. Acidente da história, que vê a rememoração de uma tragédia dar lugar a outra tragédia, somando mais dor à memória coletiva.

“Por que isso está acontecendo conosco?”, parecem dizer muitos poloneses unidos no luto e na estupefação. Os peritos apontarão os responsáveis pelo acidente aéreo de sábado, que causou a morte do presidente Lech Kaczynski, dos chefes das Forças Armadas polonesas e de várias outras figuras públicas. É parte da elite do país que foi dizimada quando se encaminhava para as cerimônias de celebração do 70º aniversário do massacre de milhares de oficiais poloneses pelos soviéticos em Katyn, perto de Smolensk.

O drama remete os poloneses à sua história – como se algumas feridas não conseguissem fechar. Ele as remete a uma forma de mal-estar, que a Polônia não dissipou completamente ao integrar a União Europeia.

Vinte anos se passaram desde a queda do muro de Berlim e do fim da URSS. A Polônia certamente se tornou um país poderoso dentro da União. Mas ela não se esqueceu de que durante os anos de chumbo da tutela soviética, eram os Estados Unidos, e não a Europa, que mantinham Moscou à distância. E como ela voltava a encontrar seu lugar nessa Europa um tanto ingrata, também quis integrar a Otan: os Estados Unidos lhe pareciam os únicos fiadores sérios de sua segurança frente à Rússia.

Pois a sombra projetada do poderoso vizinho do leste ainda está lá, alimentando as preocupações dos poloneses. Eles pagaram caro para conhecer melhor a Rússia do que alguns europeus. E têm razão em desconfiar ainda mais.

Mas eles têm a impressão de que o aliado americano não é mais o mesmo. A administração Obama os estaria negligenciando. Ela não teria mais pelos países da Europa Central e Oriental as mesmas considerações e a mesma atenção que as anteriores. Vários ex-dirigentes dessa Europa – entre os quais Lech Walesa e o checo Vaclav Havel – declararam isso por escrito a Barack Obama, em julho de 2009.

Eles sentem que essa iniciativa foi em vão. Muitos poloneses e checos se sentiram um pouco mais abandonados algumas semanas mais tarde: Washington desistiu de instalar na Polônia e na República Checa um sistema antimíssil.

Como encontrar seu lugar entre uma Rússia que ainda causa medo, um Estados Unidos que se afasta, e uma Europa que, quando se trata de defesa e de política externa, encontra-se na ingenuidade e na retórica? Parte da resposta depende de Varsóvia e Moscou: a tragédia de sábado deve levá-los a continuar com sua aproximação. Quanto ao resto, a resposta à questão que os poloneses fazem é clara: é uma Europa mais forte, que não sacrifica mais seus orçamentos de defesa, e olha o mundo como ele é – perigoso, sempre.

Tradução: Lana Lim

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