UOL Notícias Internacional
 

17/04/2010

Como os responsáveis pelo transporte aéreo gerenciam a interrupção do tráfego

Le Monde
Dorian Chotard
  • Diversos aeroportos na Europa tiveram voos cancelados após erupção de vulcão na Islândia

    Diversos aeroportos na Europa tiveram voos cancelados após erupção de vulcão na Islândia

Maurice Georges é diretor de serviços da navegação aérea da Direção Geral da Aviação Civil (DGAC). Ele participa desde a manhã de quinta-feira dos comitês de crise, em colaboração com todos os responsáveis pelo transporte aéreo e o secretário do Estado para os Transportes.

Le Monde: Em que se baseia a DGAC para decidir o fechamento do tráfego aéreo?

Maurice Georges: Nós nos baseamos nos relatórios dos Centros de Informação sobre as Cinzas Vulcânicas (VAAC, Volcanic Ash Advisory Centers). Há dois deles na Europa: um em Londres, especializado nos riscos de erupção no norte do Atlântico, portanto na Islândia, e um em Toulouse para o sul e o centro da Europa. Em período de erupção, esses centros divulgam a cada seis horas mapas de zonas de riscos que estabelecem uma previsão para as próximas dezoito horas. A Météo France [serviço nacional de meteorologia da França] também utiliza esses modelos para confirmar as zonas de risco.

Ontem de manhã ainda não havia perigo. Depois descobrimos que o norte da França se encontraria em zona de risco à noite, e por isso a decisão de fechar o tráfego aéreo no norte do país.

Le Monde: Por que tomar essa decisão depois do Reino Unido, da Bélgica e da Noruega?

Georges: Justamente porque os modelos de dispersão dos institutos meteorológicos previam uma chegada de partículas vulcânicas sobre o solo francês mais tardia do que nos outros países. Essa chegada tardia se confirmou, pois hoje ainda estamos na fronteira sul da zona de dispersão dessas partículas, perigosas para os reatores dos aviões.

Nossa escolha foi feita no início da tarde de quinta-feira. Essas decisões devem ser tomadas rapidamente, ainda que sejam um pouco uniformes, pois as consequências são muito pesadas em termos de gestão operacional, comercial e de informação aos passageiros. Não se poderia deixar somente para as companhias aéreas.

Le Monde: Então são as companhias que transmitem as informações aos viajantes?

Georges: Sim, pois estamos em uma lógica de descentralização da comunicação. E o que interessa os passageiros, acima de tudo, são as informações sobre seus próprios voos. Ora, a companhia aérea é a mais bem posicionada para fornecer essas informações.

Le Monde: Como os organismos envolvidos gerenciam essa situação de crise?

Georges: Na manhã de quinta-feira um comitê de crise foi criado na DGAC com as direções interessadas (vigilância, segurança, transporte aéreo e o gabinete do diretor-geral), e estamos em contato com o gabinete do ministro da Ecologia e o do secretário de Estado para os Transportes. É uma verdadeira rede, pois também estamos em contato com outros comitês de crise, em especial os dos aeroportos de Paris, todos conectados com o centro de gestão de fluxo da Eurocontrol, em Bruxelas.

Para tomar decisões, nós realizamos regularmente conferências telefônicas com todas as companhias aéreas, os aeroportos, os serviços meteorológicos. Dessa forma, ainda que as decisões sejam tomadas pela DGAC em nome do Estado, são tomadas após um diálogo com todos os participantes, levando em conta o máximo possível de fatores como as limitações de programação de voo das companhias aéreas, as possibilidades de informar os passageiros, etc. Todos os participantes do transporte aéreo cooperam nas decisões. Insisto nesse ponto, ainda que no final só haja o Estado para tomar uma decisão coletiva dessa amplitude.

Enfim, ainda que cada Estado continue responsável por seu espaço aéreo, isso não nos impede de nos coordenarmos, graças a trocas bilaterais com nossos grandes vizinhos.

Le Monde: Por que alguns voos foram restabelecidos nesta tarde?

Georges: Segundo as previsões, nós dispúnhamos na sexta-feira, entre 12h00 e 18h00, de uma janela meteorológica durante a qual a região parisiense seria poupada da zona de risco. Em caráter excepcional, nós operamos alguns voos em Orly e em Roissy. Eram sobretudo voos em chegada, para trazer de volta a Paris passageiros presos no exterior, mas também alguns voos partindo de Paris, para os quais passageiros estavam presentes e prontos para embarcar. Nós não podíamos reabrir todos os voos, pois o tempo para informar os passageiros, trazê-los e embarcá-los era longo demais para uma janela tão curta.

Em termos de comunicação, entendo que seja delicado: alguns acham isso injusto e dizem: “Disseram que tinha sido cancelado, mas na verdade houve partidas e chegadas”. É uma arbitragem delicada de se fazer. Preferimos resolver determinados casos mais complexos sem reabrir completamente os aeroportos, ainda que fosse mais complicado de administrar.

Tradução: Lana Lim

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