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21/04/2010

Iyad Allawi e Nouri al-Maliki competem para compor maioria governamental no Iraque

Le Monde
Patrice Claude
  • Ayad Allawi, ex-primeiro-ministro do Iraque, durante entrevista em Bagdá, capital do país. Vencedor das eleições legislativas no Iraque, mas que agora enfrenta um processo de recontagem de votos

    Ayad Allawi, ex-primeiro-ministro do Iraque, durante entrevista em Bagdá, capital do país. Vencedor das eleições legislativas no Iraque, mas que agora enfrenta um processo de recontagem de votos

O primeiro-ministro Maliki, derrotado por pouco nas eleições legislativas, conseguiu uma recontagem de votos em Bagdá.

Quase seis semanas após as eleições gerais que ainda não permitiram formar um novo governo, a comissão eleitoral do Iraque aceitou, na segunda-feira (19), recontar “manualmente” os 2,5 milhões de votos depositados no dia 7 de março nas urnas de Bagdá.

Exigida pelo atual primeiro-ministro, Nouri al-Maliki, que recusou sua derrota anunciada, essa operação, que poderá levar ainda algumas semanas, não acata todas as queixas do chefe do governo. Maliki, que continua a cuidar de assuntos de rotina, pediu uma recontagem completa em cinco das 18 províncias do Iraque por causa de supostas “manipulações”. Elas não haviam sido identificadas nem pela comissão eleitoral nem pelos peritos da ONU, que em geral consideraram a votação “honesta e representativa”. A contagem inicial, contestada, foi feita com um software da ONU.

Vencido por somente duas cadeiras em nível nacional por seu rival secular Iyad Allawi (91 contra 89), Maliki conseguiu 26 cadeiras parlamentares na capital, contra 24 do Bloco Iraquiano de Allawi. Pouco depois da eleição nacional, pessoas próximas a Maliki haviam estimado em 750 mil (dos 11,5 milhões de votos contabilizados) o número de votos “contestáveis”. Hassan al-Sined, um parlamentar da chapa do primeiro-ministro, Aliança por um Estado de Direito, declarou à AFP que a recontagem deveria aumentar a pontuação de sua chapa. Ele não especificou em quanto.

No ponto em que estão as negociações entre as duas chapas líderes e os outros partidos para formar uma nova coalizão governamental, algumas cadeiras a mais para a lista da Aliança para um Estado de Direito não mudariam fundamentalmente a equação política. Tanto o Bloco Iraniano de Allawi quanto a chapa de Maliki estão bem longe das 163 cadeiras (de 325) necessárias para o estabelecimento de uma maioria na assembleia. Então há duas semanas que as duas chapas líderes estão ocupadas, por meio de emissários, negociando adesões com outros partidos.

“Terceiro homem”

Os dois “vencedores” visam três chapas, competindo entre si com ofertas de ministérios e postos importantes como recompensa.

A primeira é a do jovem pregador xiita radical antiamericano Moqtada al-Sadr, cujo desempenho (39 cadeiras contra 30 anteriormente) surpreendeu a todos. No início do mês, o movimento sadrista organizou uma espécie de referendo entre seus eleitores para decidir entre as duas chapas líderes e determinar a qual ele poderia se aliar. Segundo números não-oficiais fornecidos, 1,43 milhão de pessoas participaram da votação.

Nem Allawi nem Maliki, que tiveram de enviar o exército nacional contra a temível milícia sadrista, o Exército do Mahdi, em 2004 e depois em 2008, obtiveram o apoio dos simpatizantes do pregador. Foi Ibrahim al-Jaafari, que também foi primeiro-ministro depois de Allawi, entre 2005 e 2006, que chegou à frente no “referendo” sadrista com 24% dos votos, contra 9% de Allawi e 10% de Maliki. Como Moqtada al-Sadr, que se refugia em Teerã há quase três anos, não explicou se se conformaria ou não com o voto de seus simpatizantes, as negociações com ele continuam.

E também continuam com o segundo maior partido xiita, o Conselho Supremo Islâmico (31 cadeiras), fundado em Teerã em 1982 e cujo líder, Ammar al-Hakim, deu a entender que o próximo governo poderia muito bem ser dirigido por um “terceiro homem” que não fosse Allawi ou Maliki.

A chapa curda, que obteve 43 cadeiras, se declarou disposta, por meio de seu líder e atual presidente da República, Jalal Talabani, a “apoiar qualquer candidato ao posto de primeiro-ministro que os irmãos xiitas apresentem”. Com a condição, não dita em público, mas clara para todos, de que os candidatos em questão se mostrem mais bem dispostos a resolver a espinhosa questão de Kirkuk, cidade petroleira que os curdos, que se autoadministram nas três províncias do Norte, pretendem anexar à sua zona autônoma. Então as negociações ainda estão muito longe de terminar.

Tradução: Lana Lim

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