Reforma e a reorganização do museu Grand Palais são avaliadas em 236 milhões de euros

Florence Evin

  • Francois Guillot/AP

    O presidente francês Nicolas Sarkozy observa a tela "O Desesperado", auto-retrato do pintor Gustave Courbet (1819-1877), no museu Grand Palais, na capital francesa

    O presidente francês Nicolas Sarkozy observa a tela "O Desesperado", auto-retrato do pintor Gustave Courbet (1819-1877), no museu Grand Palais, na capital francesa

Um Grande Palácio das Artes e Ciências deverá ser inaugurado em Paris em 2017, se Nicolas Sarkozy aceitar o projeto de reforma de 236 milhões de euros que foi apresentado na terça-feira (20) por Jean-Paul Cluzel, o presidente do estabelecimento público do Grand Palais e da Reunião dos Museus Nacionais, na presença de Frédéric Mitterrand, ministro da Cultura, que veio trazer seu apoio.

As obras deverão permitir que seja dobrado o número de visitantes que podem ser recebidos ao mesmo tempo – 20 mil, dos quais 10 mil sob a nave, no lugar dos 5.800 de hoje. Mas também que se garanta uma programação o ano inteiro, sendo que hoje o Grand Palais, cujo isolamento não é perfeito, fica fechado metade do ano.

Após a restauração do vidro que recobre a nave, terminada em 2009, essa reforma é a ocasião para uma reorganização geral, tanto arquitetônica quanto administrativa, das três entidades públicas que ocupam três prédios articulados entre si: o Palácio da Descoberta, dedicado às ciências; as Galerias Nacionais, que dependem da Reunião dos Museus Nacionais (RMN), dedicadas às exposições temporárias (atualmente “Turner e seus pintores”, “O caminho do Tao”); e o estabelecimento público do Grand Palais dentro da nave onde acontecem eventos, encontros de arte contemporânea e desfiles de moda.

A ideia principal do projeto arquitetônico é tornar possível uma circulação de públicos entre as três entidades que, por enquanto, são herméticas e se ignoram. Um espaço compartilhado, uma espécie de pivô central, reunirá bilheteria, livraria, cafeteria, atividades digitais... Os visitantes terão acesso por três entradas: pelo lado do Sena, do Champs-Elysées e em frente ao Petit Palais.

As Galerias Nacionais abrigarão as galerias norte e sul do primeiro andar, que circundam a nave. A abertura de janelas sobre os mezaninos circulares art nouveau e o grande vidro devolverão seu exagero à arquitetura de 1900. O espaço dedicado às exposições será aumentado em um terço. O térreo, com seu belo pé-direito, receberá lojas e restaurantes cujas receitas poderão pagar parte das obras, que serão financiadas em 50% pelo Estado.

Contexto de concorrência

A equipe do Palácio da Descoberta se preocupa com essa redistribuição, que lhe tirou o salão de honra (1.200 metros quadrados ocupados por antigos módulos de exposição e uma maquete de reator nuclear) e seu hall circular de entrada. Jean-Paul Cluzel responde que “as superfícies aumentaram, por causa do compartilhamento de espaços comuns e da designação do primeiro andar da ala sul para o grande projeto museográfico” desejado por Claudie Haigneré, da Universcience, que reúne o Palácio da Descoberta e a Cidade das Ciências e da Indústria. Na verdade, 22% dos espaços destinados a escritórios e à logística serão tirados do Palácio da Descoberta.

Preocupada com a rentabilidade, e para ter o controle de “uma programação voluntarista”, Cluzel também propõe criar um estabelecimento público industrial e comercial, que reunirá o Grand Palais e a RMN.

A RMN coordena as exposições do Grand Palais, mas também é encarregada da bilheteria, da engenharia das exposições e das livrarias de cerca de quinze museus na França (não os maiores). Ela apresenta para 2009 um superávit de 17,6 milhões de euros. “É preciso virar a página de uma situação de monopólio da RMN, para que ela ofereça suas prestações em um contexto de concorrência”, explica Cluzel. Os quinze museus administrados pela RMN poderiam, dessa forma, se voltar para operadoras privadas, como o Centro Pompidou que confiou sua livraria à Flammarion e sua loja à Printemps.

A fusão entre o Grand Palais e a RMN permitirá enfim que se “valorize o patrimônio das coleções fotográficas da RMN, que serão totalmente digitalizadas”.

Tradutor: Lana Lim

UOL Cursos Online

Todos os cursos