Irã lança ofensiva diplomática para evitar sanções na ONU

Joëlle Stolz

Em Viena

  • Morteza Nikoubazl/Reuters

    O presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad (à esquerda), fala com seu chanceler, Manouchehr Mottaki, em entrevista coletiva

    O presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad (à esquerda), fala com seu chanceler, Manouchehr Mottaki, em entrevista coletiva

Teerã quer ganhar o apoio dos membros não-permanentes do Conselho de Segurança

Enquanto a Guarda Revolucionária iraniana realiza manobras militares nas águas do Golfo, afirmando ter testado com sucesso cinco mísseis, em resposta às “ameaças nucleares” dos Estados Unidos, Teerã conduz uma ofensiva diplomática desesperada para evitar que o Conselho de Segurança da ONU adote contra o Irã um novo conjunto de sanções. Examinado há mais de seis anos pela comunidade internacional, seu programa nuclear civil continua sendo suspeito de na verdade visar adquirir a bomba atômica.

Essa ofensiva se concentra sobre os dez membros não-permanentes do Conselho, sendo que a aprovação de pelo menos quatro deles - ou seja, 9 votos entre 15 – é necessária para uma maioria qualificada. O ministro iraniano das Relações Exteriores, Manouchehr Mottaki, fez uma visita em Viena, no domingo (25), a seu colega austríaco, Michael Spindelegger, que ele chamou insistentemente de “meu amigo” durante uma coletiva de imprensa.

A Áustria participa este ano do Conselho de Segurança, assim como Uganda, onde o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, acaba de tentar conquistar a simpatia de seu colega Yoweri Museveni. Este se recusou, no fim da visita de sábado, a se pronunciar, e também pôs um fim às perguntas sobre um possível acordo com o Irã sobre o petróleo ugandense, cujas reservas são estimadas em 2 bilhões de barris.

Spindelegger foi mais direto, indicando que a responsabilidade de deter a marcha para as sanções cabia a Teerã. “Esperamos que a parte iraniana faça propostas que restabeleçam a confiança” da comunidade internacional, declarou, dizendo ainda que o trem que leva às sanções “só pode ser detido se o Irã realmente se mexer”.

Essa frase dá a entender que as “novidades” que Mottaki apresentou a seus interlocutores em Viena para tentar convencê-los não foram suficientes. Spindelegger não deu detalhes, pois quer que os primeiros a ouvi-los sejam seus colegas no conselho ministerial da União Europeia, na segunda-feira (26) em Luxemburgo, bem como a secretária de Estado norte-americana Hillary Clinton, com quem teve conversas telefônicas antes e após essa visita.

Acordo arrancado

O mesmo ceticismo é compartilhado pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), cujo diretor-geral, Yukiya Amano, se encontrou com Mottaki em Viena. A proposta iraniana não passaria de mais uma variante daquelas que ele já apresentou para esvaziar de seu conteúdo o acordo arrancado em outubro de 2009 pelo antecessor de Amano, Mohamed ElBaradei.

Seu ponto principal é que o Irã aceite abrir mão de uma quantidade significativa de urânio que ele já enriqueceu, violando as resoluções da ONU. Ele claramente não está disposto a consentir com isso, apesar dos repetidos esforços da Turquia, membro não-permanente como o Brasil.

O único apoio de peso com o qual Teerã pode contar parece ser Brasília, cujo ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, encontraria Ahmadinejad na segunda-feira em Teerã para preparar a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, nos dias 16 e 17 de maio.

Tradutor: Lana Lim

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