Noam Chomsky no centro das atenções após a recusa de Israel em deixá-lo entrar na Cisjordânia

Benjamin Barthe

  • Juan Barreto/AFP

    Noam Chomsky, intelectual norte-americano

    Noam Chomsky, intelectual norte-americano

O professor Noam Chomsky finalmente entrou na Cisjordânia... mas por meio de uma videoconferência.

Os estudantes da Universidade de Bir Zeit, perto de Ramallah, onde o célebre linguista americano foi convidado para falar, tiveram de se contentar, na terça-feira (18), com uma palestra audiovisual, feita a partir de Amã. Barrado dois dias antes pelas autoridades israelenses, Noam Chomsky havia desistido de tentar a sorte uma segunda vez na fronteira da ponte Allenby, entre a Jordânia e a Cisjordânia.

O ícone da contracultura americana, crítico inflexível da política de Israel nos territórios ocupados, se esforçou para minimizar a importância do episódio. “Isso não mudou nada no universo”, disse Chomsky. “Israel está dando um tiro no pé. Mas eles fizeram pior com outras pessoas”, referindo-se ao embaixador turco em Israel, humilhado em janeiro diante das câmeras por Danny Ayalon, vice-ministro das Relações Exteriores.

Mais do que às suas três horas de espera no terminal da ponte Allenby, o professor emérito do MIT (Massachusetts Institute of Technology) dedicou a maior parte de seu discurso ao papel dos Estados Unidos no mundo, atacando a diplomacia de Washington.

Essa moderação contrasta com o frenesi midiático causado pela recusa de Israel em deixá-lo entrar na Cisjordânia. Sob o título “Uma declaração de guerra à inteligência”, o editorial do jornal “Haaretz” criticava nesta terça-feira o comportamento das autoridades: “Israel está se comportando como a África do Sul nos anos 1960, quando ela entendeu que se tornava um pária, mas pensava que poderia solucionar o problema por meio de uma campanha melhor de relações públicas”.

“Ação estúpida”

Contrariando as explicações constrangidas do porta-voz do governo, Mark Regev, que falava em um “simples mal-entendido”, um abuso de autoridade da parte de um funcionário subalterno, Chomsky disse à rede de televisão Al-Jazeera que quem o interrogou havia falado por telefone com uma autoridade do ministério do Interior antes de lhe devolver seu passaporte carimbado com a frase “Entrada negada”. Ele conta que o funcionário lhe declarou: “Israel não gosta do que você diz”.

No jornal “Yedioth Ahronoth”, o colunista Boaz Okon criticava, na segunda-feira, uma “ação estúpida dentro de uma série de insanidades frequentes e recentes. Juntas, elas representam o fim de Israel como um Estado de direito que respeita as liberdades ou, no mínimo, colocam um grande ponto de interrogação nessa questão”.

Em abril, um palhaço espanhol foi mandado de volta para Madri após um interrogatório de seis horas no aeroporto de Ben-Gurion de Tel Aviv, depois do qual ele foi acusado de manter relações com um grupo terrorista palestino. Anteriormente, o arcebispo anglicano sul-africano Desmond Tutu, o intelectual americano Norman Finkelstein e o relator da ONU Richard Falk, todos abertamente contra a ocupação dos territórios palestinos, também tiveram o acesso impedido.

E o que pensa disso o primeiro-ministro israelense Binyamin Netanyahu? Na segunda-feira de manhã, ele afirmou ter tomado conhecimento das dificuldades de Noam Chomksy por meio da imprensa.

Tradutor: Lana Lim

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