Após dois meses de erupção, o vulcão Eyjafjallajökull se acalma

Pierre Le Hir

  • Reuters

    Lava e cinzas explodem fora da caldeira do vulcão islandês Eyjafjallajökull em abril deste ano

    Lava e cinzas explodem fora da caldeira do vulcão islandês Eyjafjallajökull em abril deste ano

Uma simples soneca, ou um sono profundo? O vulcão “parece ter adormecido”, indicava, na segunda-feira (24) em sua nota de informação diária, o Instituto de Ciências da Terra da Islândia: “Continua a haver uma quantidade considerável de vapor que sai da cratera, mas não se veem cinzas ali”. Não há como saber como o vulcão islandês se comportará nas próximas semanas. Patrick Allard, vulcanólogo do Instituto de Física do Globo de Paris (IPGP), que passou vários dias ao pé do Eyjafjallajökull e se prepara para voltar para lá, avalia: “É razoável pensar que a fase explosiva da erupção acabou”, ou seja, a fase acompanhada por uma expulsão de cinzas que, no máximo da atividade do cuspidor de fogo, chegaram a subir 10 mil metros de altitude. Se esse diagnóstico estiver certo, o céu europeu deverá permanecer livre, sem ameaça de novas perturbações ao tráfego aéreo.

No local, Magnus Gudmundsson, geofísico na Universidade da Islândia, observa a ausência de subida de magma: “A erupção parou, pelo menos por enquanto. No momento só emana fumaça da cratera”. Nos dias anteriores, o vulcão havia dado sinais de que estava perdendo fôlego, a pluma de fumaça não chegava a mais do que 3.000 a 4.000 metros, e o fluxo de magma diminuiu bastante.

Entretanto, “não estamos decretando a erupção como terminada”, observa Sigthrudur Ármannsdóttir, geógrafa do Instituto Meteorológico islandês. “Ainda estamos no escuro”, acrescenta Patrick Allard.

A erupção do Eyjafjallajökull na verdade teve duas fases bem distintas. A primeira teve início no dia 20 de março, sob forma efusiva, caracterizada pela emissão de jatos de lava que jorravam de uma fissura de 800 metros de comprimento, sem projeção de cinzas. A segunda começou em 14 de abril, após dois dias de inatividade completa, sob forma explosiva: em contato com o magma incandescente (mais de 1.000 graus), o gelo que recobria o vulcão foi “vaporizado violentamente”, provocando a fragmentação da rocha em partículas muito finas, expulsas em uma enorme pluma de gás, cinzas e escórias. Durante esta segunda fase, foram registrados vários picos de atividade.

Ainda que a erupção não apresente mais caráter explosivo, ela poderá continuar no modo efusivo, com novos fluxos de lava, avisa o pesquisador do IPGP. Os especialistas se mostram ainda mais prudentes uma vez que o último despertar do Eyjafjallajökull durou mais de um ano, de dezembro de 1821 a janeiro de 1823, com uma atividade intermitente. Ainda estamos em pouco mais de dois meses...

Para tentar prever os humores do vulcão, os geofísicos islandeses dispõem de estações sísmicas e balizas GPS, que lhes permite avaliar os movimentos do magma e as deformações da rocha. Eles monitoram especialmente os “tremores”, ou seja, as vibrações do solo geradas pela fricção do magma, das bolhas de gás e dos materiais sólidos contra as paredes da chaminé vulcânica.

Essas vibrações, apesar de estarem enfraquecendo, continuam sendo “mais fortes do que no início da erupção”, observa o Instituto das Ciências da Terra de Reykjavik. Para Patrick Allard, esses sinais sísmicos, numerosos mas poucos violentos e de pouca profundidade (entre 5 e 6 km), parecem indicar “reajustes mecânicos” do vulcão, mais do que novos fluxos de rocha em fusão que podem levar a um reinício de atividade eruptiva. Este, agora esvaziado de parte de seu magma, teria tendência a “se acalmar”. Seus colegas islandeses, por sua vez, sugerem que essas vibrações poderiam ser causadas simplesmente pelos vapores de água que saem da cratera.

Quanto ao grande vulcão vizinho, Katia, cuja erupção em 1823 coincidiu com o fim da do Eyjafjallajökull – e foi a mais violenta já vista pela Islândia nos últimos 200 anos - , por enquanto não deu “nenhum sinal alarmante”.

Tradutor: Lana Lim

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