Em Cuba, uma esperança para os prisioneiros políticos

  • Rolando Pujol/EFE

    As "Damas de Branco" - esposas e familiares dos 75 dissidentes presos em Cuba - tomam as <br> ruas de Havana em março deste ano para lembrar os sete anos das detenções no país

    As "Damas de Branco" - esposas e familiares dos 75 dissidentes presos em Cuba - tomam as <br> ruas de Havana em março deste ano para lembrar os sete anos das detenções no país

A Cuba de Raúl Castro não é a mesma de seu irmão, o “Comandante Fidel”. O que até agora não passava de uma vaga impressão, vem se confirmando. Cuba está mudando - um pouco. A mudança é modesta, certamente frágil, mas inegável.

Claro, ela diz respeito sobre um único tema, mas é um dos mais delicados e mais emblemáticos deste país dirigido com mão de ferro há mais de meio século: a situação dos prisioneiros políticos. Pois ainda que ela não reconheça, a ditadura castrista continua a prender aqueles que ousam criticá-la, mesmo que por meios legais.

Um diálogo foi iniciado entre o regime e a Igreja católica. As “Damas de Branco”, esposas e mães dos detentos políticos, foram agredidas por partidários do regime quando protestavam silenciosamente no domingo em Havana. A Igreja conseguiu com que elas pudessem retomar sua manifestação sem serem importunadas.

Mais impressionante ainda, o arcebispo de Havana, Dom Jaime Ortega, o mesmo que nos anos 1960 foi preso por Fidel, obteve a permissão das autoridades para a transferência de prisioneiros políticos à sua província de origem, da qual eram mantidos à distância, e a hospitalização dos mais doentes entre eles. Um novo encontro está previsto para esta semana, sendo que o objetivo da Igreja é conseguir a libertação de cerca de 200 prisioneiros políticos cubanos.

O caso mais urgente é o de Guillermo Fariñas, um ex-militar que se tornou dissidente, em greve de fome há 91 dias. Se ainda estiver vivo - ele perdeu cerca de 20 quilos desde o fim de fevereiro -, é porque ele aceitou ser alimentado por via intravenosa na unidade de tratamento intensivo do hospital onde se encontra.

Para pôr um fim a seu ato, ele exige a libertação dos 26 prisioneiros políticos mais doentes. Hoje, com um diálogo tendo sido iniciado por meio da Igreja, ele reduziu suas exigências para a libertação de cerca de dez prisioneiros.

É a situação mais provável. Ela teria o mérito de poupar a vida de Guillermo Fariñas e, para o regime, de evitar uma nova onda de condenações internacionais, como a que se deu após a morte de um outro grevista, Orlando Zapata Tamayo, no fim de fevereiro.

Por que o regime cubano escolheria, neste caso, o diálogo no lugar da mão-forte? Claro, a situação econômica da ilha não está lá essas coisas. O modelo socialista é um fracasso. Cuba não produz quase nada além de seus médicos, charutos e rum. Mas a explicação econômica não é totalmente convincente. A população está resignada e passou por coisas bem piores quando a URSS, que mantinha Cuba com dificuldades, entrou em colapso.

Existiria algo além? Talvez. O caso dos prisioneiros previa um início de adaptação - sem ousar dizer abertura - do regime no pós-guerra fria. Seria preciso ter outros sinais. Gostaríamos de acreditar nisso. Camaradas, mais um esforço!

Tradutor: Lana Lim

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