Paris considera criar mais 260 quilômetros de ciclovias

Béatrice Jérô

  • François Guillot/AFP

    Turista circula por rua em Paris (França), onde se utiliza o sistema Vélib de aluguel de bicicletas

    Turista circula por rua em Paris (França), onde se utiliza o sistema Vélib de aluguel de bicicletas

Bertrand Delanoë se comprometeu, na quarta-feira (26), a criar 260 quilômetros de novas ciclovias até 2014. O prefeito de Paris quer facilitar a circulação das bicicletas, que vem crescendo, mas também relançar o Vélib’, que está perdendo fôlego.

Como em todas as cidades que adotaram um sistema self-service de aluguel de bicicletas, o Vélib’, criado em 2007, incrementou o uso da bicicleta. Desde 2001, são duas vezes mais bicicletas que circulam na capital, sendo que 35% delas são Vélib’. A prefeitura se deparou com uma demanda maior de pistas adaptadas e locais de estacionamento. Hoje, Paris possui somente 440 quilômetros de ciclovias, dos quais 260 foram criados a partir de 2001, com marcações no chão ou um separador do resto da rua.

O Projeto Vélo, que deverá ser adotado pelo Conselho de Paris no dia 7 de junho, prevê atingir 700 quilômetros de ciclovias até 2014. “Ao desenhar a nova rede”, diz Annick Lepetit (Partido Socialista), secretária de Transportes, “nós demos prioridade à continuidade entre os eixos”.

Até 2014, será possível pedalar de oeste a leste – do Bois de Boulogne ao Bois de Vincennes – e de norte a sul – entre o Canal Saint-Denis e a Porte d’Orléans – em pistas exclusivas. Para ligar mais rapidamente a periferia e as 29 comunas em torno de Paris que dispõem de pontos Vélib’, dez “portas de Paris” serão convertidas em ciclovias.

A prefeitura pretende estender a circulação em mão dupla para todas as ruas em que a velocidade seja limitada a 30km/h. Além disso, Delanoë prevê 1.000 novas vagas de estacionamento em volta das estações ferroviárias. Os projetos de transporte ou de grande mobiliário urbano serão sistematicamente acompanhados de planos de circulação para as bicicletas. Os projetos imobiliários deverão prever locais de estacionamento para elas.

Os políticos ecologistas de Paris comemoram essa mudança de abordagem da prefeitura, mas pedem pela expansão da circulação em mão dupla para as bicicletas com uma limitação a 30km/h por toda a cidade, “exceto nos grandes eixos”. O Partido Verde acredita que há urgência em melhorar a rede de ciclovias para conter a queda do uso do Vélib’.

Falhas

Após a empolgação inicial, o interesse pelo serviço self-service de bicicletas caiu: entre janeiro e março, as locações tiveram uma queda de quase 12% em relação ao mesmo período em 2009. O sistema teve falhas: as dificuldades em encontrar um ponto livre para pegar um Vélib’ dissuade parte dos usuários. As assinaturas de longa duração caíram mais de 6% entre março de 2009 e março de 2010, “devido a uma política comercial pouco dinâmica por parte da Decaux”, lamenta a prefeitura de Paris.

No contrato inicial assinado com a prefeitura, a Decaux, empresa encarregada da manutenção das bicicletas, não recebia nenhuma receita ligada ao uso. Portanto, não tinha “interesse em que cada vez mais Vélib’ circulassem”, afirma a Prefeitura. Assim como Lyon, que comemora no dia 27 de maio seus cinco anos de Vélo’v, Paris renegociou seu contrato inicial com a Decaux. Em virtude de uma emenda votada em novembro de 2009, a empresa receberá uma porcentagem da receita de locações do Vélib’ assim que esta ultrapassar os 14 milhões de euros por ano.

Consequência: a empresa terá interesse em que o preço das assinaturas aumente. “Não haverá aumento de tarifa enquanto a oferta não melhorar”, avisa Lepetit. As negociações sobre as tarifas entre Decaux e a prefeitura de Paris prometem ser acirradas.

Tradutor: Lana Lim

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