Ataque a frota humanitária é fiasco triplo para os israelenses

  • Uriel Sinai/EFE

    Imagem mostra o ataque da Marinha de Israel na segunda-feira (31) contra uma frota de seis embarcações com ativistas que tentavam furar o bloqueio à faixa de Gaza e entregar suprimentos à região

    Imagem mostra o ataque da Marinha de Israel na segunda-feira (31) contra uma frota de seis embarcações com ativistas que tentavam furar o bloqueio à faixa de Gaza e entregar suprimentos à região

Israel certamente tinha suas razões para impedir uma flotilha humanitária de chegar ao território palestino de Gaza. Esses seis navios transportavam suprimentos (alimentos, remédios, materiais de construção, etc.), destinados ao 1,5 milhão de habitantes de Gaza sujeitos a um severo bloqueio por parte de Israel e do Egito há três anos. O governo de Binyamin Netanyahu propôs que essa carga fosse desembarcada no porto israelense de Ashdod. Ele pretendia se certificar de que ela não continha armas, antes de encaminhá-la a Gaza, afirma.

Os organizadores da flotilha recusaram. Pois a iniciativa, lançada por uma ONG islâmica turca, não era só humanitária: ela visava fazer pressão sobre Israel para que este retirasse o “sítio” da Faixa de Gaza. A operação se chamava “Libertem Gaza”, tratava-se de um desafio político, de batalha de imagem. Tel Aviv respondeu pela força. E o ataque feito pelas Forças de Defesa de Israel na noite do dia 30 de maio resultou em um fiasco em todos os sentidos.

Primeiro, pela tragédia humana: cerca de dez militantes turcos foram mortos à bala e muitos outros foram feridos pelas forças especiais israelenses. Isso aconteceu a bordo do maior dos seis navios, o Mavi-Marmara, depois que os outros cinco se renderam sem confronto. Ainda que seja cedo demais para saber o que aconteceu exatamente, a imprensa israelense, quase unânime, já exige uma comissão de investigação e fala do despreparo ou das negligências que acompanharam essa inspeção.

O fiasco diplomático é ainda maior pelo fato de que os comandos israelenses tomaram o controle dessa flotilha em águas internacionais. Com a internet e a globalização midiática, a reprovação a Israel foi mundial e imediata, antes mesmo que os detalhes da tragédia fossem conhecidos. As relações diplomáticas com a Turquia, um país-chave no Oriente Médio, já andavam mal há vários anos, e agora estão à beira da ruptura. Iniciadas com muito esforço, as chamadas negociações “de proximidade” com os palestinos também deverão sofrer as consequências desse caso.

Por fim, o fiasco é político. Ele revela, mais do que nunca, o absurdo e a injustiça do bloqueio imposto a um território já miserável. Os israelenses, que o ocupavam desde 1967, o deixaram em 2005, ao mesmo tempo em que controlavam suas fronteiras terrestres e marítimas. O movimento islâmico Hamas tomou o poder à força ali em 2007, data a partir da qual Israel e Egito impuseram um embargo que só deixa passar produtos de primeira necessidade.

Esse bloqueio não atingiu nenhum de seus objetivos. Ele não enfraqueceu o Hamas, pelo contrário. Não permitiu a libertação de Gilad Shalit, o soldado israelense capturado em 2006. Ele submete centenas de milhares de famílias a condições indignas de existência. Entende-se que Israel queria impedir que armas chegassem ao Hamas. Mas é cada vez mais difícil de entender por que ele não retira um bloqueio que não tem razão de ser.

Tradutor: Lana Lim

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