Giancarlo Mazzanti, arquiteto de uma Colômbia menos desigual

Grégoire Allix

  • Guillermo Legaria/EFE - 1º.out.2008

    Mulher caminha com seus filhos em favela de Ciudad Bolívar, ao sul da capital colombiana Bogotá

    Mulher caminha com seus filhos em favela de Ciudad Bolívar, ao sul da capital colombiana Bogotá

Ele tem um ar bem austero: terno preto, camisa preta e óculos quadrados. Mas é a generosidade que caracteriza o trabalho do colombiano Giancarlo Mazzanti, autor da reconquista urbana e social das favelas de Medellín, Cartagena e Bogotá, na Colômbia. Um trabalho de inserção que lhe valeu o Prêmio Internacional de Arquitetura Sustentável, que recebeu no dia 11 de maio em Paris, junto com outros quatro laureados.

“A missão da arquitetura é melhorar o bem-estar social, construir uma sociedade mais justa”, afirma Mazzanti. Essa missão foi conduzida pelo arquiteto sob a autoridade de figuras em ascensão da política colombiana, do Partido Verde: o ex-prefeito de Bogotá, Antanas Mockus, que enfrentará Juan Manuel Santos no segundo turno da eleição presidencial, no dia 20 de junho, e seu candidato à vice-presidência, Sergio Fajardo, ex-prefeito de Medellín. É da ressurreição de suas cidades que os dois tiram boa parte de sua legitimidade política.

Aos 47 anos, Giancarlo Mazzanti pertence a essa geração de construtores colombianos que, na linha de seu mestre Rogelio Salmona (1927-2007), conjugam exigência arquitetural e estratégia de desenvolvimento. Uma aliança essencial, em um país cuja população é majoritariamente urbana, mas 80% dela vive em bairros informais e precários, ao pé de morros.

Renascimento

Foi em Medellín, cidade que por muito tempo foi símbolo de violência e narcotráfico, que Mazzanti, originário de Bogotá, construiu sua reputação. Em 2003 a cidade elegeu um novo prefeito, Sergio Fajardo, um matemático que revolucionou a política municipal, dando prioridade à educação, ao social, à renovação urbana. As favelas saíram de seu isolamento, foram conectadas ao centro por meio de teleféricos, e receberam espaços públicos e instalações coletivas.

A biblioteca-parque España, uma obra de arte realizada em 2007 por Mazzanti em Santo Domingo, uma das piores favelas da cidade, representa esse renascimento. Indo além da encomenda de um simples prédio, o arquiteto ergueu três majestosos blocos de pedra parecidos com monólitos, ligados por uma vasta esplanada pública e que abrigam, além da biblioteca, oficinas de trabalho, espaços para cursos, e uma sala de espetáculos.

“Mais do que um edifício, é uma paisagem geográfica e social”, explica. “Com seu aspecto, essa instalação afirma pertencer a Medellín, à montanha. Graças a ela, os moradores não têm mais vergonha de viver neste bairro. Para isso, é preciso dar às pessoas estruturas públicas das quais elas possam se orgulhar”.

O arquiteto aplica a mesma fórmula nos modelos de escolas que está projetando para os bairros pobres em todo o país. Estabelecimentos que jogam sutilmente com a transparência e a compartimentalização, para preservar a tranquilidade dos alunos sem ceder à tentação da segurança obsessiva. “Nós não queremos muros e grades: é preciso abrir essas escolas para seus bairros, projetar prédios de uso comunitário, pátios públicos, transformar os arredores em espaços verdes”, acredita Mazzanti. Uma pequena revolução, por um orçamento de somente US$ 500 (R$ 735) por metro quadrado.

Tradutor: Lana Lim

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