Milionários investem mais com a emoção do que com a razão

Nicole Vulser

  • Toussaint Kluiters/AFP

    Milionários veem coleções de artes como alternativas ao investimento financeiro

    Milionários veem coleções de artes como alternativas ao investimento financeiro

Para não desmentir nenhum velho ditado, os muito ricos não se saíram mal durante a crise. Segundo o 14º estudo da Merril Lynch e Capgemini sobre a população mundial mais rica (cujo patrimônio ultrapassa US$ 1 milhão, fora a residência principal e bens de consumo), publicado na terça-feira (22), os investimentos em “prazer” desses milionários não diminuíram. “Desde o fim de 2009, o mercado das coleções de produtos de luxo como arte, vinhos e carros voltou a crescer, com concorridos leilões na Europa e na América do Norte”, afirma Laurence Chrétien, diretora de projetos da Capgemini Consulting.

Mais do que nunca, os milionários, especialmente os europeus, consideram as coleções de artes sobretudo como “alternativas ao investimento financeiro”. Os gastos com saúde, bem-estar e viagens de luxo continuaram a aumentar, ao passo que as vendas de artigos de luxo caíram 8%, para US$ 227 bilhões (R$ 406 bilhões), em 2009.

Ainda que gastem muito, esses milionários também aumentaram no ano passado suas generosidades e suas doações a atividades filantrópicas. Uma tendência que deverá crescer ainda mais em quase todas as regiões, exceto na América do Norte, “onde as perspectivas continuam mitigadas”.

A fortuna total desses 10 milhões de milionários (um aumento de 17,1% em 2009) foi avaliada em US$ 39 trilhões em 2009, segundo Gilles Dard, presidente do setor de private banking para França e Europa da Merril Lynch. Trata-se de uma volta, tanto em número quanto em patrimônio, aos níveis de 2007. Ainda que os Estados Unidos, o Japão e a Alemanha reúnam 53% dos mais abastados, o número dos mais ricos asiáticos deverá ultrapassar o dos europeus no ano que vem.

Para continuarem milionários, estes últimos “reinvestiram prudentemente nos mercados financeiros” no ano passado, privilegiando os investimentos com rendimento garantido (31%). Eles lucraram com a retomada da Bolsa de valores (em média, 29% de seus investimentos), ao mesmo tempo em que diversificavam mais geograficamente suas carteiras.

Os investimentos no setor imobiliário também voltaram a ser favorecidos. Segundo esse estudo, os sul-americanos e os japoneses continuaram os mais conservadores. Todos pareceram “mais envolvidos” em suas decisões de investimento. Mesmo estes últimos foram realizados “mais sobre fatores afetivos e emocionais” do que sobre um raciocínio lógico. A parte onírica do milionário?

Tradutor: Lana Lim

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