Repórteres Sem Fronteiras oferece kit para navegação anônima na internet

Le Monde Yves Eudes

A RSF também ajudará blogueiros e jornalistas sob vigilância a criarem sites que escapem da censura

Há alguns anos, associações de defesa dos direitos humanos e governos ocidentais vêm ajudando dissidentes políticos e jornalistas independentes que vivem em países ditatoriais a utilizar a internet sem serem notados pela polícia de seus países, graças a soluções técnicas de eficácias variáveis.

A Repórteres Sem Fronteiras (RSF), por sua vez, implantou um sistema chamado de “abrigo anti-censura”, que permite enviar mensagens e consultar sites da internet de forma anônima e protegida. Para isso, a RSF fechou um acordo com a Xerobank, multinacional de segurança informática cuja sede social fica no Panamá. Esta fornece conexões protegidas a bancos, empresas, ONGs e missões diplomáticas.

Essa renda permitiu que ela decidisse oferecer seus serviços gratuitamente a organizações merecedoras. Bruno Delpeuc’h, diretor da Xerobank para a Europa, tem orgulho de trabalhar para uma empresa tão atípica: “Nós temos uma divisão comercial e uma divisão filantrópica. Muitos de nós temos um passado ativista e mantivemos um espírito libertário”.

A Xerobank oferece uma dupla proteção. De um lado, os dados enviados pelo usuário são encriptados; de outro, antes de chegar a seu destino, eles transitam de forma aleatória por diversos roteadores instalados nos Estados Unidos, no Canadá e na Holanda, o que embaralha as pistas. A Xerobank também reforçará seu sistema se equipando com roteadores extras em diversos países europeus, inclusive a França.

Quando um dissidente ou um jornalista estrangeiro estiver em Paris, a RSF poderá colocar à sua disposição uma sala de trabalho que comporte três computadores protegidos. Depois, quando ele voltar para seu país, ele levará uma chave USB contendo um kit de conexão protegida e um programa especial de navegação, que não deixa nenhum vestígio nos sites visitados.

Uma vez em casa, basta que ele coloque a chave em qualquer computador para se conectar à rede Xerobank. Para aqueles que não viajam, a RSF pode enviar discretamente códigos de acesso. A conexão protegida se faz por meio do website da Xerobank. O sistema pode ser instalado em um smartphone. A Xerobank e a RSF também praticarão o refugee hosting, que permite ajudar os blogueiros e jornalistas sob vigilância a criarem sites que escapem da censura.

Permanecer discreto

Uma vez livres para fazer o que bem entenderem, esses dissidentes em geral criam um blog em um provedor comercial estrangeiro, mas sua situação ali é precária. A China ou o Irã contratam hackers que lançam ataques contra seu host. Muitas vezes os provedores decidem se livrar de seus inconvenientes clientes e fecham suas contas.

Associações ocidentais fazem a intermediação, oferecendo hospedagem em um provedor capaz de resistir aos ataques e às ameaças. Mas para ser eficaz, o refugee hosting deve se manter discreto, pois se essa forma de ajuda for revelada, os dissidentes que se beneficiam dela poderiam ser acusados de cumplicidade com o Ocidente – o que poderia destruir sua reputação entre a opinião pública.

Para os rebeldes que não recebem o apoio da RSF, a assinatura na Xerobank custa 25 euros por mês.

Tradutor: Lana Lim

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