Às armas, cidadãos europeus!

Num mundo que se arma, a Europa se desarma. Sob o choque da crise e a necessidade de sanar as finanças públicas, os países europeus cortam os orçamentos da defesa – massivamente. Isso é perigoso.

Os otimistas não verão nada além de um ajuste conjuntural que pode ser corrigido por qualquer reajuste posterior. Os pessimistas denunciarão uma evolução iniciada depois do final da Guerra Fria, no começo dos anos 90, e que incrementa o sentimento de um continente que sai da história.

Eles denunciarão uma forma de retirada estratégica, uma recusa consciente ou inconsciente de se tornar uma potência que conta no mundo de amanhã. Eles estigmatizarão um tropismo contra a neutralidade, que transformará uma Europa envelhecida num tipo de Suíça resguardada dos tumultos do século 21 –o que vem de uma concepção angelical da história e não é justo com a Suíça, que dispõe de uma boa defesa nacional.

Porque a defesa não é somente a capacidade de dissuadir ou combater um inimigo nas fronteiras. Desse ponto de vista, os europeus souberam construir de forma admirável –sob proteção, é verdade, do escuto norte-americano– um conjunto onde a guerra é excluída como modo de resolver os conflitos. A defesa, para um continente como a Europa, é a capacidade de justificar suas ambições estratégicas (ainda existem?); é a capacidade de projetar seu poder sobre palcos distantes onde se joga uma parte de seu futuro econômico; é a possibilidade de intervir para se interpor sobre outro continente, impedir tentativas de genocídio e crimes contra a humanidade. Em resumo, garantir seu lugar entre as potências da época.

Os números não dizem tudo, mas eles não enganam. A maioria dos países europeus destina menos de 1,5% de seu PIB à defesa. Todos, sem exceção, cortam dos créditos militares as leis de finanças dos próximos dois anos.

É verdade para os pequenos países europeus. Mas também é o caso para as quatro ou cinco grandes potências do velho continente que são a Alemanha, a França, a Inglaterra e, num grau menor, a Espanha, Itália e Polônia. Os alemães e os britânicos parecem ser os mais radicais nos cortes destinados a seus exércitos; os franceses parecem mais prudentes, limitando a “quebra” ou se esforçando, como eles dizem de forma elegante, para “estabilizar” suas despesas militares.

Isso seria de uma importância relativa se os “outros” fizessem o mesmo. Mas não é o caso. Os Estados Unidos pretendem continuar sendo uma das grandes potências militares de seu tempo –com mais de 4% de seu PIB destinado à defesa; os russos também, em pleno esforço com mais de 5%; os chineses mais ainda...

As restrições orçamentárias nacionais deveriam incitar os europeus a reunirem seu esforço militar. Isso tem um nome: a Europa da defesa. Ela apresenta inúmeras dificuldades, mas basta nunca abandoná-la. Às armas, europeus, formem sua defesa!

Tradutor: Eloise De Vylder

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