Brasil procura investidores para a Copa de 2014

Annie Gasnier

  • AFP PHOTO / GIANLUIGI GUERCIA

    Evento em Johannesburgo lançou oficialmente a logomarca da Copa de 2014 nas presenças de Orlando Silva Jr., Romário, Bebeto, Ricardo Teixeira, Lula, Cafu, Carlos Alberto Parreira, Joseph Blatter e Carlos Alberto Torres

    Evento em Johannesburgo lançou oficialmente a logomarca da Copa de 2014 nas presenças de Orlando Silva Jr., Romário, Bebeto, Ricardo Teixeira, Lula, Cafu, Carlos Alberto Parreira, Joseph Blatter e Carlos Alberto Torres

Os estádios estão fora do padrão, e as licitações acusam um atraso preocupante

Luiz Inácio Lula da Silva ficou longe da final da Copa do Mundo. O presidente brasileiro, que deveria concluir sua viagem pela África do Sul assistindo à partida final do Mundial, no domingo (11), em Johanesburgo, preferiu mudar seus planos e voltar ao país. Oficialmente, para estar junto às vítimas das inundações que devastaram o Nordeste do Brasil no fim de junho. Não oficialmente, porque a Seleção foi eliminada vergonhosamente nas quartas de final pela Holanda (2 a 1).

Daqui a quatro anos Lula não será mais presidente, mas deverá marcar presença na final da Copa do Mundo, uma vez que esta acontecerá no Maracanã. O mítico estádio do Rio de Janeiro, o maior do mundo quando foi construído, já recebeu uma final, em 1950. Lula não estava lá, ele só tinha 4 anos. Mas a lembrança permanece dolorosa na memória do presidente e dessa nação de torcedores apaixonados. Em 1950, o Brasil perdeu a partida e a Copa após um gol do Uruguai no último minuto. Ainda se conta no Rio que 200 mil pessoas saíram aos prantos do local novinho em folha, em um silêncio sepulcral. “Acho que superamos esse trauma, e que será uma bela festa”, promete com um sorriso Márcia Lins, secretária dos Esportes do Estado do Rio de Janeiro e administradora do Maracanã, o segundo monumento mais visitado da cidade. Este está fechado para as manifestações esportivas: o estádio deve se submeter a grandes obras de modernização para entrar no padrão da Federação Internacional de Futebol (FIFA), de forma a poder receber a Copa das Confederações em 2013, teste final antes do Mundial.

“É impossível imaginar”

As obras devem ter início em agosto, e de repente o cronograma parece apertado demais. Assim como o de todas as obras previstas para esse evento tão desejado pelas autoridades. Escolhido pela FIFA em novembro de 2007, o Brasil pouco avançou nas adaptações exigidas pelas especificações.

Às vésperas da competição na África do Sul, o secretário-geral da FIFA, Jérôme Valcke, soou o alarme: “O Brasil não está respeitando nenhum prazo, tudo está atrasado. Será preciso esperar o fim do próximo Carnaval?” Os projetos, as licitações, os financiamentos acusam um atraso preocupante. Nenhum estádio das doze cidades escolhidas para receber as partidas está dentro das normas, e vários deles ainda estão por construir. Até hoje somente três estão em construção: em Manaus, em Belo Horizonte e em Cuiabá.

Em São Paulo, uma enorme polêmica: a maior cidade da América do Sul, a mais rica e a mais populosa, não deverá receber a partida de abertura. Ricardo Teixeira, presidente do comitê organizador, que também preside a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) há 21 anos, rejeitou o projeto de reforma do estádio do Morumbi.

O próprio chefe do Estado se comoveu: “Acho estranho e impossível de imaginar que essa megalópole, que tem times importantes como o São Paulo FC e o Corinthians, e onde o Morumbi funciona desde 1962 e pode receber até 100 mil pessoas, não possa receber a Copa do Mundo”.

A diretoria do São Paulo FC alega não ter encontrado nenhum financiamento privado para as obras maiores. “As obras dos estádios não são as únicas em atraso”, acusa Silvio Torres, deputado de São Paulo, “os meios de transporte público e os aeroportos não estão nada adaptados para o evento”. Assim, o projeto do trem-bala que deveria ligar o Rio a São Paulo, separadas por 400 quilômetros, ainda não foi submetido a licitação, e o percurso nem mesmo foi definido. Talvez ele esteja pronto para o início... dos Jogos Olímpicos de 2016.

Os investimentos privados são extremamente tímidos e explicam em parte os atrasos em São Paulo e Curitiba. Ricardo Teixeira prometeu que essa Copa do Mundo não seria organizada com dinheiro público. Para os Jogos Panamericanos de 2007, as obras iniciadas pela prefeitura do Rio tiveram de ser terminadas em caráter de urgência com dinheiro do contribuinte, em um orçamento 800% maior do que havia sido anunciado.

“Todas as despesas públicas poderão ser consultadas pela internet”, prometeu o presidente brasileiro durante a apresentação, em Johanesburgo, do logo oficial do Mundial 2014: duas mãos verdes e uma mão amarela se enlaçam para formar a silhueta do troféu e representam, segundo Lula, “os talentos dos brasileiros, seu gosto pelo trabalho, as cores do país”. Quem precisará de talento e trabalho também é o novo técnico da seleção do Brasil, para evitar uma nova decepção, em casa, quatro anos após a África do Sul.

Tradutor: Lana Lim

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