República Turca autoproclamada Chipre do Norte quer se tornar a "Las Vegas do Mediterrâneo"

Guillaume Perrier

Galaxia, Club Acapulco, Celebrity Casino... é grande a concorrência entre os estabelecimentos de jogos da pequena República Turca de Chipre do Norte (RTCN), uma entidade reconhecida somente pela Turquia. Cerca de quarenta cassinos já se instalaram por ali, para uma população local de cerca de 250 mil habitantes. As salas de jogos, os torneios de pôquer e os caça-níqueis atraem cada vez mais visitantes para a parte norte da ilha, controlada pelo exército turco desde 1974, e que em dez anos se tornou o paraíso do jogo no Oriente Médio. Sua presença ainda deverá ser reforçada.

O líder turco-cipriota Dervis Eroglu chegou a declarar que queria transformar a RTCN na “Las Vegas do Mediterrâneo”, durante a inauguração do luxuoso cassino do hotel Cratos, em Kyrenia, no dia 20 de julho, dia do aniversário do desembarque turco. O moderno complexo, situado na costa, não poupou esforços para comemorar sua abertura. A cantora Jennifer Lopez deveria fazer um show ali para uma plateia de ilustres convidados. Mas sob pressão dos lobbies cipriotas, a estrela acabou desistindo de ir, e o hotel lhe cobra hoje uma multa de mais de 30 milhões de euros.

Isolada no cenário internacional, a RTCN elegeu Eroglu à presidência na primavera. Esse nacionalista, ferrenho opositor da reunificação da ilha, é partidário de uma separação definitiva da parte grega. Para encher seu caixa e contornar as restrições comerciais que lhe são impostas, a “zona ocupada” apostou nos cassinos e no turismo balneário.

A costa imaculada do norte de Chipre e a península de Karpas, conhecida por seus asnos selvagens e suas colônias de tartarugas, agora estão tomadas por mansões de concreto e por hotéis-cassinos de arquitetura exuberante. Um deles é uma réplica do templo de Ártemis em Éfeso, e outras que estão em projeto reproduzirão o Coliseu de Roma e a Arca de Noé.

A indústria do jogo rende sozinha quase 15 milhões de euros por ano, calcula o ministério do Turismo em Nicósia (Turquia). Uma estratégia que remonta ao fim dos anos 1990, quando Chipre recebeu uma primeira onda de abertura de cassinos, após a decisão do governo turco, então dirigido pelo islâmico Necmettin Erbakan, de fechar todos os estabelecimentos do país.

Lavagem de dinheiro

Mais recentemente, investidores russos se interessaram pela RTCN, após o fechamento dos cassinos da Rússia em 2009. Hoje, o inferno do jogo cipriota atrai uma clientela especialmente britânica, mas também turca, libanesa, israelense... e greco-cipriota.

Do outro lado da ilha, onde os cassinos são proibidos, não se hesita mais em ultrapassar a linha verde – a linha de cessar-fogo que atravessa o território desde 1974 – para apostar um pouco de dinheiro. Somas enormes transitam por esses estabelecimentos sobre os quais pesam suspeitas de lavagem de dinheiro.

Tradutor: Lana Lim

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