Cuba se afunda em uma grave crise econômica

Paulo A. Paranagua

  • AP Photo/Jose Goitia

    Trabalhador corta cana em Cuba, que hoje precisa importar açúcar para suprir consumo

    Trabalhador corta cana em Cuba, que hoje precisa importar açúcar para suprir consumo

Cuba, que por muito tempo foi a principal produtora mundial, hoje importa açúcar. A última ‘zafra’ (colheita de cana de açúcar) mal chegou a um milhão de toneladas, insuficiente para garantir os 2 quilos por cabeça, ao mês, previstos na ‘libreta’ (cartão de racionamento), bem como as necessidades do turismo.

O açúcar é o símbolo do colapso da economia cubana, hoje dependente das exportações de serviços (médicos, profissionais da saúde) para a Venezuela, em troca de petróleo a um preço camarada. O Centro de Estudos da Economia Cubana da Universidade de Havana acredita que esse “modelo”, implantado após o fim dos subsídios soviéticos, mostra “sinais de esgotamento”. Ainda mais com a Venezuela em recessão.

Em Havana, a crise de liquidez levou o Banco Central a congelar as contas em divisas de empresas estrangeiras e mistas. Apesar de um controverso modo de cálculo do produto interno bruto (PIB), o crescimento cubano está próximo de zero.

Até os partidários do regime estão defendendo reformas de base. O universitário Omar Everleny Perez Villanueva defende “reformas estruturais”, que incluiriam a “decentralização” da economia e a adoção de “formas de propriedade não estatais” na “agricultura, mas também na manufatura e serviços”. Ao mesmo tempo em que aceita medidas “graduais”, ele se opõe à “inércia e o medo das discrepâncias, inevitáveis na primeira fase das mudanças”.

Em 26 de julho de 2007, o presidente Raúl Castro havia admitido a necessidade de “reformas estruturais e conceituais”. Mas seu ritmo parece insuficiente para reverter a tendência. Terras não cultivadas foram disponibilizadas para usufruto dos camponeses, mas Cuba ainda importa 80% dos alimentos.

Turistas americanos

O dogma socialista do pleno-emprego foi posto em xeque. Segundo as autoridades, 1,3 milhão de postos de trabalho (1 em cada 5) são supérfluos. Mas como reorientar trabalhadores para a agricultura ou a construção civil, com um salário médio de 427 pesos (R$ 37)? Como enfrentar o envelhecimento da população – aqueles com mais de 60 anos representam 17% dos cubanos) – com 235 pesos de pensão média? Para garantir o básico, uma renda complementar é indispensável.

A curto prazo, o turismo poderá ser a solução. Em 2009, a ilha recebeu 2,4 milhões de visitantes (ante 4 milhões na República Dominicana). Eles gastaram US$ 2 bilhões (R$ 3,52 bilhões). Se os americanos fossem autorizados a viajar para Cuba, a curiosidade e os preços atrairiam um milhão de turistas a mais, estima-se. Hoje, somente os cidadãos dos Estados Unidos de origem cubana são autorizados por Washington a visitar a ilha.

Um projeto para flexibilizar a legislação foi aprovado em comissão pelo Congresso americano, onde os lobbies anti-embargo rivalizam com os anti-castristas.

Libertar prisioneiros políticos, como Cuba começou a fazer, não é um gesto destinado unicamente à Europa, mas sobretudo aos Estados Unidos.

Tradutor: Lana Lim

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