A guerra dos generais no estado-maior israelense

Benjamin Barthe

  • AFP

    O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, presta depoimento sobre a ação de seu país contra uma frota humanitária que se dirigia a Gaza

    O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, presta depoimento sobre a ação de seu país contra uma frota humanitária que se dirigia a Gaza

“Um terremoto moral”. Nada menos que isso. Foi a expressão usada, no domingo (8), pelo “Yediot Ahronot”, o jornal mais lido de Israel, para descrever a última notícia que tem constrangido o exército. Do que se trata? Da destruição do vilarejo beduíno de Al-Farasiya, no vale do Jordão, que transformou uma centena de pacíficos camponeses em sem-teto? Do fato de que o ministério da Defesa e a Suprema Corte proibiram uma jovem habitante de Gaza de ir estudar direitos humanos na Cisjordânia?

Não, em Israel esse tipo de notícia, relegada a notas de rodapé, não causa mais indignação.
A comoção da imprensa veio do último episódio da “guerra dos generais”, com seus golpes baixos, cascas de banana e outras fofocas que vêm se espalhando há alguns meses pelos corredores do estado-maior.

O prêmio do furo de reportagem vai para a Chaîne 2, que apresentou, na sexta-feira, um documento com o timbre de uma famosa agência de relações públicas israelense, Arad Communication, listando uma série de estratégias destinadas a promover a candidatura do general Yoav Galant, responsável pela frente Sul, no posto de chefe de estado-maior, que deve ser renovado dentro de alguns meses. O memorando sugere destacar “sua humanidade, sua maturidade, sua experiência e sua autoridade”, ao mesmo tempo em que desenvolve uma campanha de difamação contra seu principal rival, o general Benny Gantz, atual número dois do exército.

Yoav Galant e Eyal Arad, diretor da agência de comunicação incriminada, fizeram pouco dessas acusações. Entretanto, o primeiro-ministro, Binyamin Netanyahu, ordenou que o procurador-geral elucidasse o caso o mais rápido possível.

Sua investigação promete causar comoção. Porque por trás dessa rivalidade, há outra intriga sendo tramada, entre o ministro da Defesa, Ehud Barak, de quem Galant é o protegido, e o atual chefe do estado-maior, Gabi Ashkenazi, que o detesta.

Em abril, Barak havia humilhado Ashkenazi ao lhe recusar a prorrogação do quinto ano, reservada aos chefes de estado-maior merecedores. Os comentaristas militares israelenses se preocupam com o impacto dessa lavagem de roupa suja sobre o moral das tropas.

Perto desse “terremoto”, a inspeção da flotilha de Gaza, na qual nove passageiros turcos foram mortos, mais parece um minúsculo tremor...

Tradutor: Lana Lim

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