Gigantes do tabaco correm atrás dos fumantes da Ásia

Laurence Girard

Seis milhões. Segundo o instituto Euromonitor, é esse o número de novos adeptos que engrossaram as fileiras dos fumantes na Ásia em 2009. E, com a ajuda do crescimento da população, 30 milhões de novos consumidores de tabaco deverão se somar ao círculo dos viciados em nicotina até 2014. Números que não passaram despercebidos pelas grandes fabricantes de cigarros, prontas para apostar nessa região para tentar manter uma alta no volume de suas vendas.

Para a Euromonitor, essa região do planeta concentra sozinha quase 60% do número total de fumantes no mundo, ante os 10% da Europa Ocidental, os 10% da Europa Oriental e os magros 4,5% dos Estados Unidos. É verdade que nos últimos cinco anos, o número de consumidores de tabaco caiu 4% nos países desenvolvidos. O aumento dos preços, as políticas de saúde pública e também a crise tiveram efeitos dissuasivos na Europa, bem como nos Estados Unidos.

Resultado: quase 60% da venda de cigarros no mundo ocorre na Ásia. Mas, em termos de valor, a fatia de mercado dessa região é bem menor. Ela seria de 36%. Segundo a Euromonitor, calcula-se que a parte do orçamento anual do consumidor asiático que vira fumaça seja de US$ 52 (R$ 91), enquanto um fumante europeu desembolsa US$ 333 por ano, e um americano, US$ 270. A discrepância corresponde ao diferencial de preços de venda do cigarro. Na Ásia, o custo médio de um maço é de cerca de US$ 1,20, em comparação com os US$ 5,40 na Europa Oriental, os US$ 5,20 na América do Norte, ou ainda os US$ 2 na América Latina.

No entanto, a Ásia não é um conjunto homogêneo. Essa zona geográfica engloba realidades muito diferentes e às vezes evoluções contraditórias. Seu principal motor continua sendo a China. Esse país contribuiu sozinho para um crescimento do volume de cigarros vendidos com 400 bilhões de unidades nos últimos cinco anos. O que permitiu mostrar um crescimento acumulado do mercado mundial de 289 bilhões de cigarros nesse período, enquanto no resto do mundo foram vendidos 105 bilhões a menos deles. Então a participação da China no mercado mundial passou de 33,7% para 38,9% entre 2004 e 2009, segundo a Euromonitor.

Outra particularidade desse mercado: ele ainda é controlado pelo Estado chinês, acionista da sociedade China National Tobacco Company. Essa empresa, que atende os presumidos 350 milhões de fumantes da China, em 2009 acumulou US$ 76 bilhões em impostos e lucros. Com um aumento de US$ 8,2 bilhões em relação a 2008. Só os impostos representaram US$ 61 bilhões, ou seja, uma verdadeira mina de ouro para o caixa do Estado. Nesse contexto, as medidas de limitação do consumo do tabaco demoram a ser instauradas.

Já no Japão, segundo maior mercado asiático do cigarro, as preocupações de saúde pública prevalecem. A proporção de adultos fumantes vem diminuindo, e teria passado de 24,9% para 23,9% em um ano, segundo um estudo publicado no início de agosto pela fabricante Japan Tobacco. Acima de tudo, o governo programou para outubro uma grande elevação dos impostos que poderia resultar em um aumento de quase 30% sobre o preço do maço. Essa política levou a uma diminuição de 7,9% nas vendas da Japan Tobacco no país, no segundo trimestre de 2010. A empresa japonesa, cujo 50% do capital pertence ao Estado, agora aposta na sua internacionalização para compensar um mercado doméstico que regride, e sujeito a uma crescente concorrência – ainda que a Japan Tobacco detenha quase dois terços desse mercado. Paradoxalmente, quase não apostou nos outros países asiáticos, com exceção de Taiwan. Ela deverá fazer ajustes em breve.

Os outros protagonistas internacionais ativos nessa parte do globo são a Philip Morris International (PMI), proprietária do Marlboro e do Chesterfield, e a British American Tobacco (BAT), à frente do Lucky Strike e do Dunhill. A Ásia, graças à Indonésia e à Coreia, representou um quarto da atividade em volume da PMI em 2009. E, acima de tudo, em fevereiro a fabricante do Marlboro assinou um acordo com a Fortune Tobacco, líder nas Filipinas. Pois uma das particularidades desses mercados é que eles continuam sendo dominados por fabricantes locais. A BAT, por sua vez, comprou em 2009 a indonésia Bentoel. A Imperial Tobacco (Davidoff, Gauloises...) ainda é pouco presente na Ásia.

Certamente as empresas estrangeiras têm dúvidas sobre a evolução do mercado chinês, que lhes é quase fechado, e sobre as futuras ambições das fabricantes do país. Outro tema de preocupação para elas: a Ásia é, de longe, a região onde o consumo de cigarros contrabandeados é mais forte. E se oficialmente a tendência vem diminuindo na China, nos outros países ela progride com força.
 

Tradutor: Lana Lim

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