Exclusivo para assinantes UOL

Judeus franceses defendem uso do quipá: "não é ostentatório nem provocação"

Julia Pascual

Após a agressão a facadas cometida contra um professor judeu, na segunda-feira (11), o presidente do consistório israelita de Marselha, Zvi Ammar, “aconselhou a comunidade judaica da cidade a provisoriamente não usar o quipá”. Em Créteil, no departamento de Val-de-Marne, onde um quinto dos 90 mil habitantes seria de confissão judaica, essas declarações suscitaram reações diversas. “Respeito as opiniões de todos, mas esconder o quipá é uma capitulação”, acredita o rabino da sinagoga Kiryat-el, Alain Shlomo Senior. O religioso lembra que “o quipá não é nem ostentatório, nem uma provocação. é uma maneira de afirmar sua fé como a tradição pede.” O presidente da comunidade israelita, Albert Elharrar, concorda: “Está fora de questão não usar o quipá. Isso nunca foi considerado. Não vamos ceder ao medo”. Ele se mostra tranquilo: “Em Créteil, há cerca de vinte sinagogas e aos sábados parece uma cidade israelita. Também temos um grupo escolar de 1.500 alunos onde os meninos usam o quipá e a pasta da escola. Nunca houve agressões.” Boné por cima do quipá Mas o rabino Senior reconhece, “a sucessão de acontecimentos tem criado um clima de insegurança. Desde (o episódio de) Ilan Halimi, mataram em Toulouse, no HyperCacher... Estão matando judeus na França, não é um sentimento subjetivo.” A preocupação ficou ainda mais palpável depois de terça-feira (12), quando um membro da comunidade judaica e vereador pelo partido Les Républicains, Alain Ghozland, foi assassinado em sua casa. Embora a investigação até agora não tenha dado a esse crime um caráter antissemita, alguns moradores têm essa dúvida, assim como Jérémy, 25, que trabalha em um mercado kosher do bairro do lago de Créteil. “Há antissemitismo por toda parte. Ao mesmo tempo, é preciso continuar vivendo.” Ele usa o quipá “no trabalho, em casa e no bairro”, mas explica que “não gosto de usá-lo no transporte público. Nunca se sabe o que pode acontecer.” Então, para não “provocar”, Jérémy usa um boné por cima de seu quipá.

Veja também

UOL Cursos Online

Todos os cursos