As estações de esqui na França tentam se adaptar à falta de neve

Guy Dutheil

  • Jean-Pierre Clatot/AFP

    Turistas deslizam pela fina camada de neve em no resort francês de esqui Maribel, nos Alpes, às vésperas do feriado de Natal, na França

    Turistas deslizam pela fina camada de neve em no resort francês de esqui Maribel, nos Alpes, às vésperas do feriado de Natal, na França

Um céu absurdamente azul e um sol radiante. Para as estações de esportes de inverno, a persistência desse tempo bonito é um verdadeiro pesadelo. Novamente este ano, a neve está atrasada. Em Sept Laux (departamento de Isère), as webcams confirmam a extensão do desastre. A parte de baixo da área esquiável não passa de uma vasta superfície de terra.

"Não tem neve nenhuma", lamenta o diretor da estação, Jean-François Genevray. As festas de fim de ano prometem ser difíceis. "Para a primeira semana de férias, não será possível", ele reconhece, resignado. No entanto, ele mantém a esperança de que haverá, "talvez, um pouco de neve para o Natal". Em Sept Laux, somente três pistas e duas subidas mecânicas estão abertas. Sem as temperaturas negativas, é impossível acionar os canhões de neve.

A falta do ouro branco é quase geral para todas as estações de baixa e média montanha. A Le Markstein, nos Vosges, há muito tempo não vê um floco de neve. Todas as pistas estão fechadas. Em Rousses (departamento de Jura), perto da fronteira suíça, somente 4% da propriedade e 6% das subidas mecânicas estão abertas para os esquiadores.

Para compensar, em parte, a falta de neve, as estações bolaram um plano alternativo, com atividades...de verão. A estação de Sept Laux está apostando no mountain bike, no Trottin'Herbe (patinetes de rodas grossas) e no Mountainboard (pranchas de rodinhas adaptadas) para descer as pistas gramadas. O Markstein quer de qualquer forma proporcionar emoção a seus hóspedes. O destaque do momento é o trenó sobre trilhos. Os mais destemidos, presos em um carrinho que corre sobre um trilho, descem por mais de 1,2 km a 40km/h, entre os pinheiros.

O objetivo é satisfazer da melhor forma possível os turistas. Isso porque as férias de Natal contam muito na atividade das estações. Por só ter começado só no dia 4 de janeiro por falta de neve, a temporada 2015-2016 foi muito devagar em Sept Laux. O faturamento caiu 5%. Mas a estação mantém uma média positiva.

Durante o inverno de 2014-2015, ele havia crescido 10%. "É mais difícil fazer negócios quando se perde o Natal", atenua Alexis Bongard, diretor da secretaria de turismo de La Clusaz (departamento de Alta Saboia). Para a estação, esse período gera "20% do faturamento".

"Atrair a clientela estrangeira"

Todas as estações, ou quase, estão sendo afetadas pela falta de neve, mas nem todas estão sofrendo. Quando falta neve, as grandes estações, em geral situadas em altas altitudes, colocam os canhões de neve para funcionar a todo vapor.

Em Courchevel, no departamento de Saboia, quando fecham as pistas, mais de 600 canhões de neve entram em ação. Eles já fabricaram mais de 1 milhão de m3 de neve desde o início da temporada. Cinco ou seis estações como Val d'Isère (departamento de Saboia) são até mesmo presenteadas pela natureza. Elas foram beneficiadas pelo famoso "retour d'Est", ou seja, as quedas de neve em geral muito abundantes e localizadas, que caem não longe da fronteira com a Itália.

Apesar da falta de neve, Michel Giraudy, prefeito de direita de Bourg-Saint-Maurice-Les Arcs, no departamento de Saboia, e presidente da France Montagnes, o órgão que reúne mais de 350 estações de esqui francesas, se mostra otimista. Os sinais seriam positivos. "A tendência é de crescimento, apesar de um começo difícil de temporada", ele informa.

A frequência deverá "cair de 8% a 10% durante as férias de Natal". Esse recuo seria compensado em sua maior parte pelas férias seguintes: "As pessoas adiaram para outros períodos do ano". Para a semana do ano novo, a mais forte da temporada, a taxa de ocupação passaria de 80%. Em fevereiro de 2017, ele já prevê uma alta de 5% e um "aumento muito grande, de mais de 50%, para as férias de Páscoa".

Ainda que a neve esteja rara, os esportes de inverno continuam indo de vento em popa. Os "faturamentos das estações estão em alta". Sobretudo "para aquelas que investem muito, principalmente para atrair a clientela estrangeira", ressalta Giraudy.

Há cada vez mais esquiadores não franceses. Dos 50 milhões de pernoites por temporada na França, de 15 a 20 milhões são reservados fora de nossas fronteiras. Durante a temporada de 2015-2016, a atividade turística nas montanhas gerou um faturamento geral de 9 bilhões de euros.

No entanto, os problemas de cobertura de neve acentuam a discrepância entre as estações. "Está havendo um aumento no nível das estações para atrair turistas internacionais, como a multiplicação do número de hotéis de luxo "situados dentro das estações mais chiques", explica o diretor da France Montagnes. Courchevel, que comemora seus 70 anos este ano, é o melhor exemplo disso.

A estação conta com três hotéis de luxo e "a maior concentração de 5 estrelas do mundo", explica Nathalie Faure, diretora de comunicação da estação. A Courchevel conta sobretudo com Les Airelles, um de seus três hotéis de luxo, "para fazer da clientela internacional seu meio de crescimento", diz Faure.

O estabelecimento, que é o carro-chefe da LOV Hotel Collection, o grupo hoteleiro de Stéphane Courbit, é um cenário de luxo e voluptuosidade escondido ao pé das pistas. Conduzido por Séverine Pétilaire-Bellet, diretora-geral da LOV Hotel Collection, o hotel não fica devendo nada para as marcas de luxo parisienses.

Seu faturamento tem aumentado de "5% a 10% por ano", enquanto os grandes nomes da capital estão em dificuldades. A suíte presidencial, um apartamento de 500m2, é comercializada a 35 mil euros por noite, mais cara que a do Plaza Athénée. Esse preço astronômico não parece espantar os clientes, uma vez que a taxa de ocupação da suíte do Les Airelles passa de 85%.

Tradutor: UOL

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