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19/03/2002

Arqueólogos encontram o refúgio derradeiro dos Incas

The New York Times
John Noble Wilford

Praticamente a cada nova geração, os exploradores da Cordilheira dos Andes no Peru se defrontam com um complexo local sagrado ou uma cidade até então desconhecida dos arqueólogos que estudam a civilização inca. O ponto mais impressionante continua a ser Machu Picchu, descoberta em 1911. Desde a década de 60 não surgia nenhuma "cidade perdida" de grande importância.

Ao menos era o que parecia.

Uma equipe de exploradores e arqueólogos anunciou nesta segunda-feira que teria encontrado extensas ruínas de uma vasta localidade inca 14 km a sudeste de Machu Picchu. Em declives íngremes, em meio a nuvens situadas a 3.900 metros de altura, havia estradas, cemitérios e pedras de mais cem moradores e moradias que resistiram ao tempo. Este local, na montanha Cerro Victoria, está cercado por picos ainda mais altos, objetos de adoração da religião inca.

Arqueólogos afirmam que o sítio talvez tenha sido o refúgio derradeiro dos incas, antes que se rendessem aos conquistadores espanhóis. Após alguns incas terem se sublevado e praticamente deposto os espanhóis em 1536, as forças que sobreviveram se esconderam nesta região remota de Vilcabamba. Eles resistiram aos invasores durante 36 anos, até 1572.

O anúncio da descoberta foi feito pela National Geographic Society, que financiou parte da exploração. O líder da equipe é Peter Frost, fotografo britânico que vive em Cusco, Peru, e que investiga a arqueologia inca há 30 anos. Entre os outros integrantes estão vários arqueólogos, comandados pelo Doutor Alfredo Valencia, da Universidade de San Antonio Abad em Cusco.

"O sítio poderá fornecer um registro da civilização inca desde seu início até o seu final, sem a interferência do contato com o europeu", afirmou Frost.

Os exploradores afirmam ter encontrado cerâmicas de dois períodos distintos. Algumas artefatos tinham o estilo do período de formação inca. Os primeiros incas surgiram por volta de 1.200 no sul do Peru, e seu império prosperou até o século 15, sendo derrubado apenas pelos invasores espanhóis em 1532. Outras peças de cerâmica supostamente pertenceriam ao período da derradeira rebelião contra o domínio espanhol.

"Este é um dos pontos mais importantes da região de Vilacamba desde que os Incas saíram daqui há 400 anos", afirmou o Doutor Johan Reinhard, um arqueólogo que trabalha com culturas sul-americanas.

Os exploradores vislumbraram o sítio pela primeira vez em 1999. eles viram aquilo que parecia ser uma plataforma sagrada em um dos picos. Numa expedição de regresso em junho do ano passado, eles abandonaram a estrada mais próxima e deram início a uma escalada exaustiva que durou quatro dias.

No dia em que chegaram ao sítio, "nós nos deparamos com um mural inca e um complexo de construções que com toda certeza pertencia ao estilo inca", afirmou Frost na semana passada em uma entrevista por telefone, em Cusco. "Sabíamos desde aquele momento que tínhamos algo muito especial".

Foram encontradas duas famílias indígenas que viviam em meios às ruínas. Porém o local não era determinado por nenhum mapa ou por relatos arqueológicos. Frost pretende voltar ao local em junho para fazer um mapa detalhado do sítio e realizar novas escavações.

Torres funerais -- estruturas pequenas e cilíndricas feitas de pedra -- distinguem a paisagem. Os exploradores inferiram que elas provavelmente eram destinadas a enterros de elite, mas saqueadores levaram embora todos os esqueletos e pertences encontrados nos túmulos. Algumas ossadas foram encontradas em tumbas subterrâneas.

Frost indicou duas razões para que as pessoas vivessem em um local tão remoto e elevado. Uma das atrações talvez fosse as minas de prata da região. A outra era provavelmente a vista.

"É o único local desta área que possui uma vista estupenda de todos os picos nevados da região", afirmou Frost. "Eles provavelmente promoviam cerimônias religiosas dedicadas a estes três picos, e faziam observações do sol e do céu nestas plataformas para obedecer ao calendário inca".

Tradução: André Medina Carone Peru

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