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28/08/2002

Robôs poderão revolucionar lojas de conveniência

The New York Times
John Tierney
The New York Times
Em Washington (EUA)

Parece uma loja de conveniência dentro de uma caixa.

Era tarde da noite e os restaurantes e boates estavam fechando, no bairro Adams Morgan. Um jovem garçom, chamado Rick Roman, uniu-se à multidão, embasbacada com a nova atração na calçada: uma máquina de 5 metros de extensão que vendia produtos.

Roman viu pelo vidro dezenas de produtos --garrafas de azeite, leite, ovos, sanduíches, guardanapos, detergentes, fraldas, meias, dentifrícios, preservativos, DVDs --e logo descobriu o que precisava comprar, no meio da noite. Depois de inserir uma nota de US$ 10 e digitar números em uma tela, a multidão viu uma cesta de metal coletar um pacote de lâminas de barbear de uma prateleira e uma lata de espuma de barbear de outra.

Um dos transeuntes falou algo sobre "tecnologia desumanizadora". A maior parte das pessoas, entretanto, fez som de aprovação, enquanto a cesta voltava para depositar os produtos em frente a Roman. A máquina até forneceu um saco plástico.

"É bem legal", disse Roman. "Quem inventou isso é um gênio. O vendedor pode errar ou ser desagradável, mas a máquina não. Com certeza prefiro a máquina a uma pessoa".

Essa máquina, Shop 2000, é a única operando atualmente nos EUA. Alguns moradores da área disseram que era uma monstruosidade. Outros estão até tirando fotos na sua frente. Vários estão alimentando-a com dinheiro e cartões de crédito. Se o teste em Washington der certo, seus fabricantes prevêem uma nova era de conveniências para os americanos.

Os quiosques são chamados de lojas de conveniência automatizadas (talvez um nome mais adequado fosse RoboShop). Já existem máquinas similares no Japão, Holanda, Bélgica e outros países europeus, onde a mão-de-obra é cara, e os imóveis são escassos. Essas restrições estão sendo sentidas por comerciantes americanos. Um estudo da Associação Nacional de Lojas de Conveniência prevê que a falta de mão-de-obra será um dos maiores problemas do setor nos próximos anos.

"Com essa máquina, você elimina a maior parte de seus custos trabalhistas, assim como problemas de roubo", disse Hettie Herzog, presidente da fabricante da máquina, a Automated Distribution Technologies. "Além disso, cabe em um espaço pequeno. Uma loja de conveniência típica ocupa 230 metros quadrados. Para a máquina, você só precisa de 18. É perfeita para lugares onde se tem muito tráfego de pedestres --calçadas, dormitórios, estações de trem, prédios de escritórios".

Herzog tirou a idéia a partir de uma máquina na Bélgica que vendia verduras. No ano passado, testou seu projeto em um posto de gasolina na Pensilvânia. Os motoristas ali não fizeram muitas compras, disse ela. Os resultados foram melhores em um teste em um estacionamento perto da Universidade Howard, em Washington, no início do ano. Ela acredita que as vendas serão grandes na localização atual, na frente do estacionamento da esquina das ruas 18 e Califórnia, na seção noroeste da cidade.

Os preços dos produtos na máquina --US$ 1,00 por uma lata de sopa, US$ 2,00 por 2 litros de leite, US$ 4,00 por uma caixa de cereais matinais- são praticamente os mesmos das lojas de conveniência da área, apesar da seleção ser limitada. Herzog disse que sua máquina pode estocar até 200 produtos, menos de um décimo do que uma loja típica oferece. "Podemos acompanhar as vendas à distância, ligando para o computador da máquina para saber quanto está sobrando de cada item", disse ela. "Se a máquina parar ou tiver algum problema, ela liga para seu Pager ou manda uma mensagem eletrônica".

Esse tipo de operação, assim como uma loja de conveniências automatizada drive-thru, sendo desenvolvida por outra empresa, está sendo recebida com cautela pelos operadores das máquinas tradicionais de vendas.

Veteranos do setor observam que, no passado, houve esforços mal sucedidos de expandir a variedade de artigos à venda nas máquinas, saindo dos tradicionais doces, café, refrigerantes e cigarros.

A Keedoozle, mercearia que usava uma pista rolante, faliu nos anos 30. Uma precursora que teve mais sucesso, Horn & Hardart Automat, oferecia comida quente, mas eventualmente foi superada pelas franquias de lanchonetes.

"Uma razão pela qual máquinas de vendas diversificadas não invadiram os EUA até hoje foi que tivemos uma grande quantidade de imigrantes dispostos a operar as lojas de conveniência", disse Timothy Sanford, editor da revista Vending Times. "Mas está ficando muito difícil encontrar mão-de-obra capacitada. Para quem é capacitado, não faz sentido perder tempo valioso vendendo itens simples".

As lojas robotizadas oferecem claras vantagens, disse Sanford. "Você não precisa ter um banheiro para os funcionários, ou corredores para os clientes. Não precisa se preocupar com alguém apontando uma arma para o caixa. Primeiro, o público precisa se acostumar com esse tipo de lojas, mas acho que será inevitável. As pessoas já estão acostumadas com atendimento automático nos bancos e postos de gasolina. Quando sabem o que procuram, elas querem comprar sem ter que esperar na fila ou se preocupar se o vendedor está de bom humor".

Essa postura ficou evidente em uma pesquisa de opinião pública pela Associação Nacional de Lojas de Conveniência. Entre os itens que faziam as pessoas escolherem comprar em uma loja de conveniência, o "atendimento amigável" vinha bem abaixo de fatores como "localização conveniente" e "rapidez". Lá no final da lista, em 13º lugar, estava "ambiente agradável da loja".

Apesar disso, alguns dos que observavam a nova máquina logo defenderam as lojas com vendedores. "Preocupo-me com as pessoas que ficarão sem emprego", disse o editor David Bottoroff. "Essa máquina é muito desumana e também muito feia. Preferia muito mais ver uma vitrine aqui a essa caixa horrorosa".

Alguns dos outros que analisavam a máquina tarde da noite, concordaram com sua ambivalência. Eles reclamaram da obsessão americana com a conveniência. Os críticos, porém, pareciam ser minoria. "Maravilhosa", era a opinião mais comum. "Parece uma coisa do futuro!" gritou o líder de um grupo que saía de um bar.

Até Bottoroff fez elogio à máquina. Ele não a aprovava, mas como não havia outras lojas abertas no quarteirão a essa hora, poderia até ser que viesse a comprar um DVD ou uma pipoca ou outra coisa da máquina durante a noite. "Devo admitir que é conveniente", disse.

Tradução: Deborah Weinberg Tecnologia

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